Além do horizonte, existem outros mundos a serem descobertos.
Lá, folhas não caem, elas flutuam.
Lá, o meio de transporte são pássaros que vem até você e com o suspiro de seu amor, neste mundo todos andam de mãos dadas lá é aonde a harmonia toma conta da natureza de todas as espécies viventes.
Lá, não colhemos flores, mas as flores colhem a gente.
Chegou o tempo de despertar e acreditar que esta vida vale apena ser vivida.
-Rhenan Carvalho-

sexta-feira, 28 de setembro de 2007

Ouvir a voz do coração é ser autêntico



Ouvir a voz do coração é ser autêntico
por Roberto Dantas


Autoconhecimento é mais do que saber coisas sobre si mesmo, é "sentir" que isso é verdadeiro. E tomar "consciência" disso, é re-conhecer-se. E re-encontrar-se. Ouvir sua voz interior, a voz da sua verdadeira essência, que lhe dita sua missão de vida através de suas necessidades mais íntimas.

Sua essência é o seu VERDADEIRO SER, livre de padrões sociais ou condicionamentos impostos pela sociedade e em nossa educação. É como você era quando criança; procure relembrar do que gostava, como sentia a vida à sua volta e trazer a sensação para sua vida presente.

Para re-encontrar consigo mesmo, enxergar-se mais a fundo e entender-se mais é preciso ter CORAGEM para enfrentar os obstáculos que se encontram e que dificultam essa mudança. E o mais contraditório é que estes obstáculos estão dentro de você mesmo.

É preciso viver com AUTENTICIDADE, e pra isso, é preciso ouvir a voz do coração. Só ele sabe tudo, pois é através dele que o Divino diz o que quer de nós e dita nosso caminho.

No ritmo do coração


No ritmo do coração
Rubia A. Dantés


Algumas vezes parece que as coisas estão tão aceleradas em nossas vidas que fica até difícil acompanhar tantos acontecimentos... outras... tudo parece tão parado que a gente até se preocupa se não deveria estar fazendo alguma coisa... para dar uma movimentada...
Mas na verdade... o que nos incomoda, não é estarmos acelerados ou parados demais... o que nos incomoda é que não estamos em sintonia com o nosso ritmo, e por isso perdemos a sintonia com o ciclo em andamento.

Quando estamos em sintonia com o ritmo do nosso coração, que pulsa em sintonia com o coração da Mãe Terra... seja o que for que estejamos fazendo... ou deixando de fazer... teremos uma sensação tão grande de bem- estar que nos faz entender que estamos respeitando o nosso ritmo... e com isso nos encontramos sempre no lugar certo... na hora certa... na ação correta...

Pode ser que a ação correta, em alguns momentos, seja justamente a não ação... e respeitar esses momentos de não ação, às vezes não é fácil porque somos cobrados... e principalmente... nos cobramos muito. Somos cobrados a fazer coisas e a ser de determinada forma, que acreditamos... ou que querem nos fazer acreditar, serem as mais adequadas.
Mas não existe nada mais adequado do que escutar o nosso próprio ritmo e “Ser” de acordo com o que manda o nosso coração.

Especialmente nesses tempos de tantas transformações, em que podemos sentir uma grande aceleração nos nossos processos de evolução, muitas vezes sentimos necessidade de ficar mais quietos, sem tanta ação nessa realidade, porque estamos trabalhando e sendo trabalhados em outros níveis.

Pela minha experiência e pelo retorno que tenho recebido das pessoas... sinto que estamos sendo trabalhados de forma muito profunda... e acelerada... e quem se dispõe a cumprir o seu propósito divino está tendo a oportunidade de liberar padrões antigos, que estão vindo à tona de forma muito clara. Se não nos apegamos ao mal-estar, que algumas vezes acontece quando esses padrões emergem, podemos liberar muitas coisas que nos limitavam e impediam a nossa evolução.

Para facilitar essa liberação é importante que a gente não se identifique com o que vem à tona... observe e entenda que são oportunidades preciosas de evolução e que os padrões estão sendo liberados... para também liberar muitas partes nossas que trazem o Dom.

É claro que nesses tempos... nem sempre sabemos o que nos é pedido e podemos nos sentir um pouco perdidos em determinados momentos. Nessa hora é que podemos querer pedir socorro e recorrer a muitas coisas fora da gente.
Mas a chave é justamente buscar o centro... encontrar a conexão direta com a Fonte.

Sempre me lembro de uma vez em que me sentia muito perdida em determinada situação, sem saber o que fazer, e fui socorrida por uma mulher que me aparece em sonhos ou em jornadas para dentro. Ela me disse, nessa época, que não adiantava eu buscar fora o que só poderia ser encontrado dentro. E me mostrou uma grande mandala de luz branca, enquanto me falava que tudo que eu precisava sempre chegava no centro daquela mandala, pelo Grande Mistério.
Mas... me mostrou também como eu perdia o que chegava no centro cada vez que saia de lá para buscar fora.
E me ensinou a visualizar essa mandala de luz branca, como se fosse a minha mandala e a me encaminhar para o centro dela e ali ficar... entregue e confiante.
A partir daí sempre que me lembro... volto ao centro percorrendo o caminho de luz branca dessa mandala... e funciona de forma muito impressionante.

Existem muitas maneiras de encontrar o nosso ritmo... mas todas passam pelo centro. Por isso, encontre um caminho que te leve para o centro e que te coloque em sintonia com o pulsar do coração da Grande Mãe...
E então... suavemente...
No seu ritmo natural...
Você vai se sentir de novo em casa...
E tudo volta ao seu lugar...

Como lidar com as diferenças no amor




Como lidar com as diferenças no amor
Por Patricia Gebrim


Uma das percepções mais básicas que precisamos ter para tornar possíveis os
relacionamentos é a de que somos diferentes uns dos outros. Eu arriscaria dizer que 90% dos conflitos existentes nos relacionamentos se devem a uma negação dessa realidade.

É muito comum que façamos ao outro “o que gostaríamos que ele fizesse conosco”.
Logo, se gosto de ficar sozinho, tendo a deixar o outro só. Se, por outro lado, adoro carinho, tendo a sufocar o outro com abraços e beijinhos. Parece óbvio não é?

- “Ora, se eu quero tanto, tanto, tanto, receber isso, por que o outro não iria querer também?” - pensamos. E não termina por aí... Ainda achamos que, se fizermos isso para o outro, ele perceberá aquilo pelo qual ansiamos tão profundamente, e finalmente nos dará o que tanto queremos. E eu lhe pergunto. Nesse caso, você realmente acha que fez algo pelo outro? Ou no final das contas tudo se tratava de você?

Que tal um pouco de biologia???

Algumas pessoas são como um cactus! É verdade!!! Um tanto espinhudas, não gostam muito de contato. Para as ‘pessoas-cactus’ bastam míseras gotinhas de água para que se sintam alimentadas. Para um cactus, nada de cascatas de lágrimas, nada de emoções intensas, muito menos abraços melados demais! Você pode se relacionar superficialmente com um cactus e, para ele, esse grau de intimidade já está mais do que satisfatório. Para um cactus não são necessárias conversas profundas ou olhares de alma. Nada mais exasperador para um cactus do que você querer contar a ele o que você sente ao se deparar com os seus espinhos!

Ah... se todos fossem cactus até que tudo sairia bem...

Agora vou falar de algo diferente. Eu não sei se você conhece essa flor, e espero que você me perdoe porque eu não vou saber lhe dar o nome técnico... só sei que a chamam popularmente de ‘maria-sem-vergonha’. É uma florzinha silvestre, pequena e bem colorida. Existem as brancas, as rosas, as laranjas e as vermelhas. Costumam alegrar os jardins como se fossem pequenos sorrisos que se espalham pelos lugares mais simples. Bem, se você já sabe de que flor eu estou falando, tente algum dia ter uma em um vaso. Eu já vou me adiantando em dizer... é enlouquecedor. Você rega a florzinha e depois de umas horinhas lá está ela, toda murcha, pedindo água de novo. Você lhe dá água, e mais... e mais... e mais... e ela continua querendo mais. Eu nunca conheci flor mais sedenta!!!

Existem pessoas que são assim. Muito sensíveis e delicadas, requerem muita atenção e cuidados. Precisam ser constantemente alimentadas. Precisam de muitas conversas, e também de beijos e abraços. Choram com facilidade, são capazes de mergulhar em profundas discussões sobre os sentimentos, sejam seus ou do outro. Precisam sentir-se conectadas em profundidade com a vida e com as pessoas. Para se sentirem íntimas de alguém precisam de uma grande proximidade emocional.

Quando ‘marias-sem-vergonha’ se relacionam com ‘marias-sem-vergonha’, até que tudo vai bem. Mas o que você acha que aconteceria em um encontro entre um ‘cactus-espinhudo-do-deserto’ e uma ‘maria-sem-vergonha’????

Reproduzo um diálogo abaixo:

Maria-sem-vergonha - Você anda tão distante...
Cactus - Como assim? Estou do seu lado agora mesmo!
Maria-sem-vergonha - Está aqui mas não está. Não está prestando atenção em mim!
Cactus - Como não? É que você não entende que eu tenho o direito de querer estar sozinho de vez em quando Maria-sem-vergonha - Está vendo? Não tem paciência comigo... (começa a chorar)
Cactus - Ah! Lá vem você com essa choradeira de novo!
Maria-sem-vergonha - Você não me ama!
Cactus - É claro que eu amo! O que você quer que eu faça???
Maria-sem-vergonha - Você é um insensível!!!
Cactus - Você é que é uma derretida e sente tudo demais!
Maria-sem-vergonha - SEU GROSSO!!!
Cactus - SUA LOUCA!!!!

Bem, acho que vocês já presenciaram algo parecido com isso em algum momento de suas vidas.

Eu só queria lhes dizer que não existe nada de errado com um cactus, muito menos com as lindas ‘marias-sem-vergonha’. Eles apenas são diferentes!

Se você estiver vivendo um relacionamento com alguém muito diferente de você, entenda que é preciso que você reconheça e aceite essa diferença, sem julgamento, sem querer que o outro seja igual a você.

É preciso que cada um de vocês tente perceber o ponto de vista do outro, com
compaixão.

É preciso que o cactus entenda que, sem água, as delicadas ‘marias-sem-vergonha’ podem morrer.

É preciso, por sua vez, que as florzinhas entendam que um cactus pode apodrecer se for inundado o tempo todo.

Cada um deve ceder um pouco, na busca de um equilíbrio que torne a convivência possível. Não é culpa de ninguém!

Eu repito... não existe a pessoa certa e a pessoa errada e enquanto você não
perceber isso, as diferenças continuarão sendo razão para intermináveis
discussões.

Seja você um cactus, uma ‘maria-sem-vergonha’, uma palmeira, um tomateiro,
uma bananeira ou um pé de laranja lima, torne-se flexível e busque um espaço
comum com a pessoa que está vivendo um relacionamento com você.

Resgate o 'eu-criança' em três passos


Resgate o 'eu-criança' em três passos
Por Patricia Gebrim


Hoje eu gostaria de falar sobre o seu Eu Criança!

É claro que, quando falo da criança interior, existe muito a ser dito.
Existem muitas facetas dessa criança que mora dentro de você e, acredite, muitas delas precisam ser urgentemente curadas.
Mas neste artigo quero falar da "Criança Sagrada", porque sem ela nos tornamos meros homens-robô cumpridores de tarefas. Sem ela a vida se torna
chata e monótona e nada parece nos interessar de verdade.


Um dia você foi pequenininho, lembra? E tudo ao seu redor era novo, grande e encantador. Talvez até mesmo assustador!
Naquele tempo, as coisas que hoje você acha pequenas eram os "grandes eventos" do seu dia-a-dia: a gota de água escorrendo na janela, o feijão que magicamente brotou do algodão, o gosto horrendo daquele óleo de fígado de bacalhau (sorte sua se não teve que passar por isso!). Naquele tempo, antes de ter desaprendido a viver naturalmente, você era simplesmente... você. É claro que o mundo parecia um infinito campo de descobertas, cheio de mistérios, mas era exatamente a presença dos mistérios que tornava tudo tão interessante e divertido.

Você cresceu, e foi aprendendo a nomear tudo, a entender tudo e os mistérios foram sendo desvendados. Você foi se sentindo mais esperto ao dominar o mundo, as contas, as palavras, a biologia, etc, mas o que aconteceu é que você foi se perdendo daquela magia. Deixou de perceber os círculos que o vento traçava na superfície de um lago solitário. Deixou de perceber o som das asas dos beija-flores, deixou de perceber que, agora mesmo, enquanto você lê estas palavras na tela do seu computador, infinitas estrelas brilham em um inexplicável universo ao seu redor. Você deixou de perceber o quanto tudo era sagrado. Você deixou de sorrir para as pessoas, de pisar na grama, de acreditar e de chorar. Talvez você tenha até mesmo deixado de amar, com medo de que não correspondessem ao seu amor.

Sem a presença da criança sagrada, a vida vai ficando cada vez mais chata, cinza e sem graça. Mas, acredite, não precisa ser assim. Você pode agora mesmo fazer como antes, e sair por aí olhando as pessoas nos olhos e sendo exatamente quem você é sem se importar tanto com o que elas pensam de você.
Mas para isso você precisa reencontrar essa criança e trazê-la para bem pertinho de você. Ela não está longe... bastam três passos! Eu convido você a dar cada um deles comigo, agora. Está pronto??? Então vamos lá!

1º) O primeiro passo é: DIVERTIR-SE MAIS!

Entenda, você não está aqui, no planeta, para fazer tudo certo. Só o que você precisa é viver as experiências que a vida lhe trouxer e aprender com elas! Ora, toda criança sabe disso!!! As crianças brincam, e assim aprendem um monte de coisas. Já nós, adultos, levamos tudo tão a sério, e queremos ser sempre tão perfeitos, que tiramos toda a graça da vida. Preste atenção:
Quando você estiver indo para uma reunião muito importante, ou para uma de emprego, ou para um primeiro encontro com alguém por quem você esteja interessado; faça de conta de que tudo se trata de uma brincadeira, e que o que realmente importa é a experiência e o aprendizado, "e não o ". Relaxe, seja simplesmente você mesmo e tente se divertir. Abra mão do peso, porque quando carrega esse peso nas suas costas você faz as coisas com muito mais dificuldade do que faria se estivesse leve e livre
para simplesmente fluir com a vida.
Ok? Então vamos para o passo número 2... que é....

2º) TER A CORAGEM DE ARRISCAR!

Eu sei, esse é um passo um pouco mais avançado. Estamos tão acostumados a buscar segurança que contratamos o medo como nosso guia para as decisões de nossa vida. Mas que sentido faz viver uma vida conduzida pelo medo? Temos medo de errar, medo de nos frustrar, medo do futuro, medo até mesmo de acertar... Mas a verdade é que não há vida sem risco. Não mesmo! Sem risco a vida é apenas uma repetição monótona daquilo que já conhecemos. Você precisa sair do curso de vez em quando, escolher um caminho diferente, provar novos sabores, agir de maneiras diferentes. Arrisque dizer o que sente, ir atrás do que quer, acreditar que é capaz! Certa vez li em um livro algo assim: "Loucura é querer obter resultados diferentes fazendo sempre a mesma coisa".
É verdade. Olhe para a sua vida! Ela é resultado daquilo que você sempre fez. Se quiser mudar algo nela, trate de arriscar fazer algo diferente!
Pronto para o último passo???

3º) AMAR ...


Simples assim. Quantas vezes ficamos presos em bifurcações sem saber o que decidir? E nessa indecisão acabamos causando dor. Machucamos a nós mesmos e aqueles que estão ao nosso redor. Mas as coisas ficam mais simples quando nos dispomos a simplesmente amar. Talvez você possa simplesmente se perguntar: "Qual é a decisão mais amorosa? " Entenda que uma decisão amorosa sempre acaba sendo a melhor para todos os envolvidos, mesmo que não pareça ser assim.
É incrível a enorme quantidade de força que recebemos quando começamos a exercitar isso em nossa vida. De repente descobrimos que não precisamos mais ficar paralisados frente a cada escolha, a cada bifurcação em nosso caminho de vida. Nos movemos, e no movimento aprendemos, crescemos e nos sentimos novamente vivos. A Criança Sagrada desperta de novo em nossa vida, e o mundo se torna subitamente cheio de mistérios a serem desvendados. Tenha certeza, a vida estará a seu lado!
Agora é com você!
Lembre-se: São apenas três passos: D.A.A. (Divertir-se, Arriscar, Amar).
Até breve!!!!

Escolhendo o dia...


Escolhendo o dia...
Rubia A. Dantés


Hoje acordei me sentindo renovada... como se tudo fosse possível.... como se nada pudesse impedir os meus sonhos de serem buscados...
Sonhos...
Entendo que eles são importantes para dar mais coração ao nosso caminhar... vamos em busca dos sonhos, sem apego... deixando para o Universo os ajustes necessários... Assim os sonhos nos levam a dar cada passo com a Alma...

Olhei pela janela do meu quarto e tive a sensação de que estava começando tudo de novo... como se um novo mundo se descortinasse para mim com todas as possibilidades.

Uma névoa suave permeava a paisagem do quintal e dava a tudo um tom de magia... as árvores... os sons dos pássaros... as flores... Tudo continuava igual... o que estava diferente era o tempo, parecia que um tempo diferente filtrasse a paisagem que eu via da janela... e esse filtro de névoa deixava passar o encantamento que existe em cada amanhecer, quando nossos olhos e nosso coração estão abertos para isso...

A cada dia podemos escolher, para melhor ou pior, como vamos passar por ele e de que forma as coisas possam se mostrar....
Ontem mesmo sei que me deixei levar um pouco pela tristeza e pela impotência diante de algumas situações que a vida nos apresenta... Hoje, pelo primeiro olhar na paisagem já pude sentir que tudo é possível e que não existem limites para que a vida sempre aconteça maravilhosa...

É incrível como escolhemos a cada dia a forma como vamos passar por ele... podemos sempre escolher o que vamos aproveitar de cada dia... Acho que temos muitos filtros e, conforme o filtro que escolhemos usar, nosso dia pode parecer triste e se arrastar sem esperança ou ser infinitamente pleno de possibilidades...

A maior parte das vezes temos a mania de escolher os filtros que deixam passar, sem ao menos serem percebidas e valorizadas, as coisas simples e bonitas, e escolhemos ficar com aquelas mais feias que de alguma forma dão mais ibope... e alimentam nossos dramas.

Quando damos ênfase ao que puxa para baixo... e não levamos em conta todas as coisas que são dignas de serem agradecidas, a cada dia, estamos escolhendo como o nosso dia vai ser... e assim fazemos dia após dia sem nem notar que está nas nossas mãos uma grande oportunidades de criar a nossa felicidade... com uma escolha simples que podemos fazer a cada manhã... a de dar mais ênfase às coisas que fazem a vida mais feliz e menos às coisas que fazem a vida mais triste.

Notícias ruins e dramas sempre chamam mais atenção do que as coisas bonitas que nos cercam a cada dia... e o Universo sempre nos dá mais daquilo onde colocamos o nosso foco... a nossa atenção... Assim vamos criando a nossa realidade sem nem perceber e depois ficamos reclamando da vida e de tudo mais...

Olhando para a paisagem da janela... que, filtrada de névoa, povoa meus sonhos de esperança... vou cuidar de criar mais Luz na minha realidade e expandir essa Luz para todos os corações... com Amor...

No vazio...

No vazio...
Rubia A. Dantés


Quando alguma coisa muito especial acontece e amplia a nossa consciência, a partir de então percebemos que muitas possibilidades surgem no horizonte e muitas coisas que eram consideradas verdadeiras deixam de sê-lo pelo simples fato de que passamos a ver tudo de uma forma mais abrangente.
Em cada patamar, conseguimos enxergar muitas coisas.... só que a gente às vezes se esquece que tem muito mais a ser visto... nos apegamos tanto ao que vemos que podemos acreditar que se trata de verdades absolutas, que passamos a defender...

E a liberdade só acontece quando não temos nada a defender... e também ao estar em sintonia com o fluxo natural da vida...

Ao defender conceitos e verdades, corremos o risco de ficar estagnados e de perder o rio da vida que flui indecifrável para quem quer controlar, mas sereno para quem se entrega... e se deixa conduzir ao eterno presente... que é onde permanecemos quando nos entregamos a esse fluir...

Quantas vezes novos insigts e informações ampliam o nosso leque de possibilidades e fazem cair por terra verdades que nos pareciam tão definitivas... e nos vemos diante do fato que... até então, defendíamos coisas que agora não fazem mais o menor sentido...

Recentemente me vi assim, diante de uma mudança tão grande de percepção que muitas coisas caíram por terra e muitas outras se tornaram “verdadeiras”...
Só que, dessa vez... vou ter mais atenção para não me apegar a elas e nem passar a defendê-las, perdendo o que elas trazem em essência para o momento, só pelo prazer de falar sobre elas.
Tenho consciência que são verdades tão efêmeras como o tempo linear que as contêm... e que, como esse tempo passa, elas também passarão...

Fluir pela vida não é a coisa mais fácil de se conseguir nessa realidade, porque requer uma dose muito grande de confiança no Grande Mistério... uma confiança que permite que entreguemos nosso destino em suas mãos...

Por isso, e por tantas mudanças de opinião, é que entendo que as verdades têm prazo de validade que vai até onde outra verdade... mude nossa direção... Se nos apegamos a elas perdemos o presente que vem em cada momento único... que podemos usufruir se não trazemos para ele tanta coisa que já passou...

É preciso estar vazio para receber o presente de cada momento...
É no vazio que o Universo pode nos revelar seu sonho... e nos tocar para sempre...

Sentir...

Sentir...
Rubia A. Dantés


Muitas vezes deixei passar aquela sensação que queria me avisar de alguma coisa... porque a razão muito ardilosa e cheia de truques me fazia não dar atenção...
Mas agora... a razão só me pega por descuido, porque percebo como podemos nos guiar por um sentir que pode ser bem sutil... mas muito profundo... e sempre me guia para onde minha Alma quer me levar...

A nossa Alma estabelece uma comunicação que vai ficando cada vez mais perceptível e vamos aprendendo a “sentir” quando uma coisa é ou não favorável... esse sentir pode nos guiar pela vida como um radar... que não tem a ver com a razão...

A nossa razão tem argumentos para tentar nos manter dentro dos limites do que conhecemos e a nossa Alma quer nos levar a ultrapassar esses limites... ampliando as nossas possibilidades...
Para seguir com a Alma é preciso coragem, avançando sem garantias e disposição para encontrar o nunca pensado... É claro que dá um frio na barriga e uma insegurança de abandonar o que aparentemente nos dá segurança... Mas as coisas que pensamos nos darem segurança, pelo domínio da razão... vão caindo por terra, uma após a outra... e chega um ponto onde só nos resta buscar a segurança da Alma... A partir daí, sempre voltamos para Ela...

Percebemos que seguir o sentir que vem da Alma sempre nos leva a estarmos mais presentes... e a vivermos cada momento com integridade

No silêncio das palavras cala-se também a voz dos medos e, do vazio, surgem estradas de possibilidades inesperadas...

Adoro o inesperado... quando já cansei de tudo que está limitado... Então dá uma sede do novo... do ainda não pensado...

Temos a mania de limitar tudo e de classificar... provar... como se com isso pudéssemos segurar o tempo...
Doce ilusão... esse tempo que tentamos segurar nem existe. Só existe na prisão da nossa mente.
Mas, além dessa prisão, existe muito mais... muito mais...

A cabeça pensa... pensa... e dá muitas voltas em torno dos mesmos e tão visitados caminhos... mas o coração sente... e nesse sentir pode nos levar à tão sonhada liberdade... ao nos guiar para longe desses círculos viciosos que a mente tenta nos impor...

Vamos sentir mais... vamos escutar mais a voz da Alma... dar mais espaço para que o inesperado possa se manifestar... ninguém precisa seguir caminhos já traçados e já percorridos... porque eles costumam nos prender, pois já foram limitados e delimitados, quase não deixando espaço para a criação...

Vamos perder o controle... é justamente quando perdemos o controle que encontramos o que mais buscamos...
Que tênue é esse limite entre perder o controle e se encontrar...

É que a gente se esquece às vezes que existe muito mais realidade além dessa nossa...

Tentar colocar dentro dos limites das palavras e das explicações experiências que não cabem aí... faz com que fiquemos só até onde as palavras e explicações podem nos levar...

Quando as palavras calam o sentir pode nos levar muito além delas...

Calar... Consentir... sentir... Ser...

Aceitação... e oportunidades

Aceitação... e oportunidades
Rubia A. Dantés


Ultimamente tenho entrado em contato com muitas pessoas que estão passando por episódios que poderiam ser classificadas de “ruins” a princípio... mas que com o tempo se revelam oportunidades muito preciosas...

Mas... fazer com que esses fatos se transformem em oportunidades depende muito da forma como cada um cruza com elas...

Existe uma maneira de passar pelas coisas que faz toda a diferença... e essa maneira começa pela aceitação... ao aceitar que tudo está perfeito assim como está, sem resistir, sabendo que ali... naquele momento... mesmo que o classifiquemos e “ruim”, está tudo o que precisamos para dar mais um passo... faz com que encontremos nas situações da vida chaves preciosas para a liberdade...

Mais que nunca é preciso humildade diante dos caminhos do Criador para que possamos entender o que está além do obvio... e disponibilidade para aproveitar as muitas oportunidades que a vida nos oferece a cada dia.

Observar a vida acontecer de certa distância... buscando mais o lado que alimenta o crescimento do que o que alimenta a autopiedade, pode fazer verdadeiros milagres e nos dar a certeza de que nada é por acaso... e que no Universo existe uma perfeição que sempre podemos acessar quando nos dispomos a abrir mão do controle e do julgamento... que nos impedem de ver o que está além.

Ficar lamentando... ou lembrando caminhos que poderiam ter sido trilhados e que possivelmente evitariam fatos dolorosos, não nos deixam perceber a grande oportunidade que está se apresentando - justamente nesses acontecimentos - que pode proporcionar grandes liberações de aspectos que ainda nos prendem e limitam.

O Universo em sua Sabedoria Infinita nos dá exatamente o que precisamos no momento para evoluir.... e essa evolução passa pela liberação daquelas coisas que, por "bem" ou por "mal" nos deixam presos às muitas experiências que vivemos no passado... e que, para serem liberadas, se manifestam em situações de nossa vida presente.

Geralmente não aceitamos o que vem revestido de sofrimento... mesmo que seja inevitável... porque só vemos o que tem de negativo naquela situação... e essa não aceitação só aumenta o tempo da aflição e nos faz perder oportunidades únicas de crescimento que se encontram ali.

Quando aceitamos cada situação, como se apresenta, por inteiro, parece que uma fresta se abre e acessamos uma força que nem sabíamos existir em nós... e essa força nos leva pouco a pouco a atravessar aquela condição com determinação e suavidade.... parece que podemos ir além do aparente sofrimento... e então acessar aquele ponto onde nada nos afeta, porque sabemos que podemos confiar plenamente no Grande Mistério...
A partir dai... novos caminhos se tornam possíveis...

Agora, mais do que nunca, precisamos estar inteiros e presentes... para que cada um exerça seus Dons únicos para melhor servir... e para que isso aconteça precisamos abrir mão de tudo que ainda nos prende a histórias antigas, que precisam ser liberadas para que as energias que ainda estão presas nessas histórias estejam disponíveis para esse momento tão especial pelo qual estamos passando... de servir ao Todo com integridade... e com Amor.

Por que é tão difícil dizer não?

Por que é tão difícil dizer não?
Por Patricia Gebrim


É claro que nem todos são assim, mas muitas pessoas sentem uma grande dificuldade em impor seus limites, em negar algo a alguém, em dizer essa palavrinha de três letras: não
Você é daquelas pessoas que mudam todo o seu trajeto para dar carona a alguém? Fica horas ao telefone ouvindo uma amiga contar sobre o namorado, enquanto uma pilha de trabalho inacabado espera por você sobre a mesa? Sai
das refeições do domingo passando mal de tanto comer, só porque a sua tia cismou que você tinha que repetir a macarronada cinco vezes e ainda comer a sobremesa?
Se esse for seu caso, eu tenho certeza que você já perguntou a si mesmo...
POR QUE FAÇO ISSO COMIGO?

A primeira e mais evidente resposta é... porque não queremos desagradar alguém. Não queremos desagradar uma pessoa que nos pede carona, não queremos desagradar uma amiga, nem a uma tia que é grande e que já tem fama de encrenqueira!
Mas é preciso que você perceba que, para não desagradar ao outro você acaba desagradando a você mesmo,repetidas vezes. Cada sim dito ao outro é um não dito a você!
Mas por que não queremos desagradar, afinal? Qual seria o problema em desagradarmos alguém??? Será que temos a capacidade de agradar a todas as pessoas, o tempo todo? Você conhece alguém que agrada a todas as pessoas o
tempo todo???
Para que você se aprofunde nessas questões é preciso que faça uma diferenciação entre seu Eu adulto e seu Eu criança.

Pense na parte adulta de você. Eu tenho certeza que, sendo o adulto que você é, você sabe que tentar agradar a todos é algo simplesmente impossível de ser atingido. Eu sei também que você sabe que não existe problema algum em
negar uma carona, se a pessoa não está sequer em sua trajetória. Ou em dizer a uma amiga que você tem muito trabalho a fazer, e que não pode falar com ela naquele momento ao telefone... Ou em não comer, caso não esteja sentindo vontade. É óbvio, para nosso Eu dulto, que não somos obrigados a fazer coisas que não nos fazem bem, e que temos o direito de esperar que as pessoas que convivem conosco compreendam e aceitem nossos limites.
Se fôssemos puramente racionais e adultos, tudo estaria resolvido, e ponto final.

Mas o problema é que muitas vezes é a criança em nós que assume o comando de nossas falas e decisões. E com a criança a coisa é mais complicada. Quando você era criança, houve uma época em que você realmente dependia da aceitação dos adultos. O que uma criancinha poderia fazer caso os pais não a aceitassem, não cuidassem dela? Poderia chegar a morrer, certo? Então, para
a criança, ser aceita era caso de vida ou morte. E essa vivência da criança fica registrada na forma de emoções.
Então vamos repassar uma dessas situações que usei como exemplo:
Você está cansado, tem muito trabalho a fazer, e sua amiga liga querendo lhe contar o fim de semana.

Seu adulto pensa: - Oh, não!!!! Estou exausto, preciso terminar esse relatório, vou dizer a ela que agora não posso falar, e que eu ligo quando estiver mais tranquilo _ esse parece um pensamento racional não é?
Mas a criança em você, que é toda emoção, se agita toda... - Ah, mas aí ela não vai mais gostar mais de mim... E a criança transforma a situação toda em uma bola de boliche que fica entalada na sua garganta, e você fica lá, mudo, paralisado, escutando... escutando... escutando... e se sentindo mal.
Horas depois, quando finalmente a sua amiga desliga lhe dizendo: - Desculpe, mas não posso mais falar com você, tenho que fazer o jantar (como se você a estivesse segurando ao telefone!!!!)

Bem, quando ela diz isso você se sente mal, e sente raiva de si mesmo, e passa a madrugada trabalhando enquanto ela dorme em paz.
Não é difícil perceber que existe algo errado nisso tudo.
Então, para deixar de fazer mal a si mesmo, você precisa aprender a dizer não. E para dizer não aos outros, você vai precisar aprender a dizer sim a você.
Quando estiver em uma situação dessas, procure analisar tudo de uma forma mais racional. Pergunte a si mesmo:

“Eu quero MESMO fazer isso para essa pessoa?”
“ Quais são as consequências, caso eu diga não?”
* Importante, responda “racionalmente”, e não “emocionalmente” a essas questões. Seja verdadeiro consigo mesmo.

É claro que existem situações em que dizer não ao outro não seria adequado... Um exemplo dramático, só para brincar com você: imagine que você chegue em casa e encontre seu marido (ou sua esposa) jogado não chão, roxo,
e ele lhe pede para ligar ao médico... bem, nessa situação eu não lhe recomendaria a dizer : “Agora não estou com vontade, querido.... Mais tarde, talvez...”
Mas muitas vezes o não é um direito seu, uma forma de honrar a si próprio.
PRATIQUE DIZER NÃO!
Você verá que não vai perder as pessoas ao fazer isso.
Pelo contrário, vai ganhar mais uma pessoa na sua vida: você mesmo

No ritmo do coração da Mãe Terra

No ritmo do coração da Mãe Terra
Rubia A. Dantés


Hoje bem cedinho acordei com a certeza de como a gente precisa muito respeitar o nosso ritmo e não se deixar levar pelo ritmo insano que a vida, e outras pessoas, muitas vezes, querem nos levar a adotar...
Seguimos outros ritmos que nos são impostos, sem nem percebermos que com isso estamos indo contra a nossa própria natureza...

E para ilustrar a minha certeza, logo depois me vi em uma situação onde pude sentir como é ruim estar... de alguma forma, tendo que me ajustar a alguma coisa que não era minha...

Tenho uma grande facilidade de perder os óculos e na hora que mais preciso não os encontro... Hoje não foi diferente, queria muito ler algo e, não encontrando os meus óculos, pequei os da minha mãe...

Com certo esforço consegui ajustar a uma distância onde conseguia ler mais ou menos... bem de perto. Logo percebi que não era natural estar fazendo aquilo, pelo mal-estar que comecei a sentir... foi tão ruim a sensação que preferi guardar um pouco a minha curiosidade e fui em busca dos meus óculos para continuar a leitura...
Enquanto procurava, fui percebendo como foi imediata a minha reação por estar tentando adaptar a minha visão a uma lente que não era minha...

Que bom se a gente fizesse a mesma coisa em relação ao nosso ritmo... mas as coisas, nesse caso, não acontecem bem assim...
Devagar vamos fazendo concessões em nome de muitas coisas... vamos abrindo mão um pouquinho aqui... um pouquinho ali...e quando nos damos conta estamos
cansados... sem energia e fazendo as coisas sem entusiasmo, porque seguimos muitos ritmos que não são o nosso, sem nem perceber... vamos acelerando pela vida e passando por ela sem viver.

Cada um de nós tem um ritmo próprio... e respeitar esse ritmo permite que façamos as coisas com harmonia e entusiasmo. Infelizmente a vida nos pede o tempo todo para que deixemos de lado esse ritmo e que “corramos atrás”...
Nesse correr atrás nem percebemos que estamos esquecendo a nós mesmos pelo caminho...

E estar vazio de si a pior coisa que pode nos acontecer...

Por isso... tenho pensado tanto na importância de cada um seguir o próprio ritmo... mesmo que ele seja diferente de todos os ritmos ao redor... e que a principio pareça difícil ir contra a corrente.

Mas quando penso sobre onde esse ritmo louco conseguiu levar a humanidade.... dá até vontade de ficar bem quieta e ouvir as batidas do meu coração na esperança de que ele ainda possa bater no mesmo ritmo do coração da Mãe Terra...
Aí então eu saberei que estou em casa outra vez...

Por que é tão difícil discordar?

Por que é tão difícil discordar?
por Patricia Gebrim


Ah... quanta confusão pouparíamos a nós mesmos se tivéssemos a coragem de ser quem realmente somos. Se nos propuséssemos a arriscar mais, a seguir aquela voz interna que pede transformações, que nos diz para ir para lá ou para cá. Se não déssemos tanta importância à opinião dos outros. Se nos permitíssemos discordar dos outros sem transformar isso em um campo de batalha, sem precisar convencê-los de que estamos certos, sem nos recusarmos a ouvi-los, sem precisar atacar.

- É incrível a facilidade com a qual traímos a nós mesmos, você já percebeu isso?
Para entender melhor essa questão, pense na forma como somos criados e educados em nossa sociedade. As crianças são tratadas como se nada soubessem, como se precisassem aprender com os adultos tudo o que é importante sobre a vida. Com raríssimas exceções, é assim que acontece.
Assim fui educada, e possivelmente você também. É muito raro que um adulto olhe para uma criança reconhecendo a sua sabedoria, reconhecendo a beleza em sua capacidade para sorrir, para brincar, para amar. Reconhecendo que ela talvez saiba bastante sobre muitas coisas. Mais do que um adulto possa imaginar.

Aprendemos desde cedo que as nossas opiniões não valem lá grande coisa. Sem perceber, nos tornamos adultos, mas continuamos como crianças, duvidando de nós mesmos.
Pensamos por horas em seguir por um caminho, e justo quando estávamos para dar o primeiro passo, alguém nos diz que esse não é um bom caminho. E assim ficamos, com o passo em suspenso, o pé incomodamente pendurado no ar.
- E se eu seguir e errar? - pensamos, tomados pelo medo e pela incerteza.
- Por que entregamos o nosso poder com tanta facilidade? Você já pensou nisso?
Agora vou me permitir contar-lhe algo que aconteceu comigo há alguns anos.
Em um dia cheio de sol, eu decidi que iria a um concerto de piano. O evento aconteceria durante a tarde, e como estava bastante quente, escolhi um vestido turquesa, que tinha flores cor de rosa. Pink, para ser mais exata! O vestido era leve e brincalhão. Mais do que tudo, era alegre, e refletia a forma como eu estava me sentindo naquele dia. Saí de casa, estava me sentindo radiante. Cheguei ao local, comprei meu ingresso e entrei, toda feliz, aberta para celebrar a minha alegria em companhia do som do piano.

Mas ao entrar na sala de concerto, um lugar quieto, quase austero, percebi que o público daquele lugar era bem diferente de mim. Todas as pessoas eram bem mais velhas do que eu, e estavam vestidas de forma clássica e neutra. A medida em que eu ia caminhando pelo corredor, com meu vestido turquesa e pink, fui sentindo minha alegria se esvair na mesma proporção em que os olhares se voltavam para mim. Continuei caminhando, como se nada estivesse acontecendo, até que ouvi um comentário, um cochicho absolutamente audível, de que o meu vestido parecia uma fantasia.
Se divido isso com vocês é para que não pensem que eu sou algum ser superior, imune às dificuldades sobre as quais escrevo... confesso que naquele momento toda a alegria que eu sentia tornou-se um peso oprimindo meu peito, as flores do meu vestido murcharam e se esconderam na cadeira numerada, da qual só me levantei depois que todos os cinzas, pretos e beges tinham ido embora.

"Precisamos trazer para o mundo aquilo que cada um de nós, sendo exatamente quem é, pode manifestar. E só faremos isso se tivermos a coragem de ser quem somos, se tivermos a coragem de abrir mão da busca de segurança ou de aprovação dos outros"Aquilo me fez pensar muito sobre o poder que damos às outras pessoas. Que poder eu dei àquelas pessoas para deixar que roubassem de mim toda a alegria? Pensei nisso muitas vezes, depois daquele dia. Percebi a força dos condicionamentos pelos quais todos nós passamos, que nos ensinaram que a aprovação do grupo é fundamental para a nossa sobrevivência.

É claro que isso é uma verdade quando temos cinco anos de idade, mas aos 30... 40 anos, será que ainda precisamos acreditar nisso?
Assim abortamos as nossas melhores possibilidades. E foi assim que eu abortei aquela deliciosa alegria, naquela tarde, porque fui incapaz de sustentá-la, porque fui incapaz de ficar a meu lado, não importa o que pensassem as pessoas ao meu redor. Eu traí o meu vestido e a mim mesma! Até
hoje peço desculpas a mim por isso, e por tantas outras vezes em que algo assim aconteceu.
Hoje procuro ficar atenta e acreditar-me capaz de honrar minhas escolhas e meu caminho.
O mundo está passando por profundas transformações. Não importa o quanto você esteja ou não consciente disso, todos nós, incluindo você, estamos sendo afetados por isso. O ritmo de tudo está muito acelerado e as mudanças estão acontecendo em uma velocidade incrivelmente rápida. Assim, não temos mais tempo a perder.

Precisamos despertar. Precisamos trazer para o mundo aquilo que cada um de nós, sendo exatamente quem é, pode manifestar. E só faremos isso se tivermos a coragem de ser quem somos, se tivermos a coragem de abrir mão da busca de segurança ou de aprovação dos outros.
Olhe com verdade e profundidade para dentro de você, e honre o que quer que consiga enxergar.
Se você deseja mudar o rumo de sua vida profissional, faça isso, mesmo que todos ao redor olhem para você com aquela cara que as pessoas fazem quando olham para uma pessoa insana.
Se quiser mudar de cidade, mude.
Se quiser terminar um relacionamento, termine.
Se quiser voltar a estudar, estude.
Se quiser passar a vida conhecendo o mundo com uma mochila nas costas, parta já.
Se quiser dedicar a sua vida ao estudo da reprodução dos salmões, não perca tempo.
Se quiser andar por aí em um vestido turquesa e rosa pink... faça isso e me convide para caminhar a seu lado.

Honre a si mesmo acima de tudo, dê as mãos à sua verdade e ouse.
Não há vida sem ousadia

A sensível diferença entre Amor e Dependência

A sensível diferença entre Amor e Dependência
Roberto Dantas


É difícil perceber a diferença entre quando estamos amando e quando estamos dependentes de um relacionamento.

A dependência é um aspecto natural do ser humano que desde o nascimento tem a necessidade de alguém que lhe ofereça tudo o que precisa, não só no aspecto físico: comida, asseio, mas também os estímulos necessários para desenvolver seu psiquismo. A isso chamamos de função materna, não necessariamente exercida por uma mãe, ou
mesmo mulher; assim, independendo de sexo esta função pode ser exercida por qualquer indivíduo que esteja mais próximo do bebê. Mas essa dependência que é natural, benéfica e saudável nesta fase da vida, pode se manter e não ser transposta, fazendo com que o indivíduo repita padrões de comportamento por toda a vida.

A dependência é um assunto delicado, pois é difícil perceber a linha tênue que
separa o amor da dependência, principalmente quando estamos dentro de um relacionamento. A simbiose que se cria entre dois parceiros, que pode ser benéfica em momentos bons da vida do casal, pode se tornar um martírio quando o relacionamento não mais acrescenta a nenhum dos dois, e pior ainda se estiver estabelecido uma relação de dependência ou co-dependência.

Muitos casais, onde pelo menos um dos parceiros sofre deste mal, têm dificuldades em encarar a separação. Muitas vezes o parceiro dependente usa de chantagens emocionais ameaçando o outro e ameaçando a própria vida para evitar a separação. Frases como "Não posso viver sem você", "Minha vida sem você não tem sentido", são muito bonitas em poesias e nas telas de Hollywood, mas em alguns casos pode ser muito preocupante na vida real quando vinda de um dependente emocional.

Esta dependência já se evidencia em muitos casos durante o namoro. Ao primeiro sinal de término, o indivíduo dependente já muda totalmente, perde o equilíbrio, vai parar num leito de hospital, e a outra pessoa acaba caindo na isca da chantagem emocional do dependente, muitas vezes confusa em seus sentimentos. Muito comum nesta situação, é o outro confundir pena com amor e acabar voltando atrás na atitude que tomara em separar ou terminar o relacionamento com o dependente.

Daí pra frente será uma vida de repetições desse padrão de vitimismo do dependente, ameaças, confusões, e muitas vezes o parceiro(a) acaba por acreditar que é seu carma passar por esta situação, que precisa resgatar alguma coisa de vidas passadas com o dependente e perpetua a dinâmica pra vida toda, vivendo infeliz e preso(a) ao dependente, simplesmente por culpa e por não ter consciência de seu papel nesta dinâmica.

Dependência tem cura? Cada caso é único assim como somos nós seres humanos. Um trabalho terapêutico profundo e consistente, agindo na reelaboração do inconsciente deste indivíduo para que haja mudanças "de dentro pra fora", pode ajuda-lo a mudar padrões internos e a viver de forma saudável e desapegada, um relacionamento saudável e feliz a dois.

Olhe no espelho...

Olhe no espelho...
Rubia A. Dantés


A gente passa muito tempo pela vida sem perceber como o Universo em sua perfeição infinita nos dá tudo que precisamos para crescer, de uma forma precisa.
Fugimos léguas de nos olhar nos espelhos que a vida nos oferece a cada dia porque lá no fundo sabemos que ali vamos enxergar a nós mesmos...
E às vezes é muito mais fácil colocar a culpa de tudo que nos acontece nos outros a ter que assumir responsabilidade sobre o que experimentamos na vida...

Mas quando temos consciência que tudo aquilo que nos acontece é, de uma forma ou de outra, responsabilidade nossa, isso nos dá a possibilidade de mudar a nossa realidade.

Quando despertamos para o fato de que os acontecimentos ao nosso redor e as pessoas também, são espelhos para partes nossas que não conseguimos enxergar, isso faz uma diferença enorme.
A partir de então agradecemos ao Universo quando nos deparamos com coisas que nos incomodam, porque sabemos que ali. Ao invés de incomodo, existe na
verdade uma chave para que a gente se conheça mais um pouco... Não podemos mudar o outro... mas, sempre podemos transformar em nós o que nos incomoda no outro e isso muda tudo ao nosso redor

Não adianta fugir desses espelhos que a vida nos oferece para o nosso crescimento, porque eles sempre voltam, como outras pessoas ou situações, que vão refletir exatamente algo que pede por transformação e que vai fazer com que nossa consciência se amplie mais um pouco.

Quando nos abrimos para receber todo o aprendizado que a vida nos oferece vamos nos encantar como tudo pode se tornar muito mais leve e como esse aprendizado pode ser mais divertido.

Experimente jogar com vida... um jogo de crescimento.... Deixe de lado todo julgamento e os preconceitos e desperte a cada dia sabendo que existe algo para você descobrir sobre você mesmo e que as pistas vão vir através dos reflexos do espelho fornecidos pelas outras pessoas.

Não fuja dos espelhos... e nem tente limpá-los... não adianta limpar o espelho porque ele reflete você...

E pouco a pouco esse jogo de olhar no espelho da vida vai se tornando cada vez mais claro e mais natural... e vamos nos rendendo a infinita sabedoria do Criador que sempre nos proporciona o que precisamos... na hora certa...nem mais... nem menos.

Quem procura ideal de felicidade sofre mais

Quem procura ideal de felicidade sofre mais
por Patricia Gebrim


Aceite, vivemos em um mundo feito de polaridades!
É inevitável acordar com cara de maracujá amassado de vez em quando. É inevitável ficar gripado, com o nariz assado, mais parecendo um tomate rachado. É inevitável se sentir ridículo ao sofrer por amor vez ou outra na vida. Aceite, faz parte de nossa experiência enquanto seres humanos. Por aqui amor e medo andam de mãos dadas, bem como o prazer e o desprazer, a beleza e a feiúra, a alegria e a tristeza. Não há como escapar. Não há como ser alegre, saudável e belo e feliz 100% do tempo.
Desista!

O problema é que algumas pessoas simplesmente não desistem. Fingem que as coisas podem ser diferentes e andam pela vida em busca de uma galinha dourada que muge como uma vaca, anda de patins e escreve textos filosóficos em suas horas vagas!!! Querem acordar belos e radiantes, como acontece nas telas de cinema. Querem vidas impecáveis, como lençóis de linho branco que acabaram de ser passados a vapor (com cheirinho de baunilha, é claro!). Querem o amor imaculado que emana luzes douradas de uma perfeição divina.
Acredite no que vou lhe dizer. Essas são as pessoas que sofrem mais. Por mais que suas vidas tenham lá o seu charme, acham que nunca é o suficiente, que deveriam estar vivendo outra coisa ou estar em outro lugar, talvez com outro alguém. Pensam que uma vida feliz deve ser cinematográfica, com direito a “flashes” e pedidos de autógrafos. E assim, descartam sem perceber a única possibilidade de felicidade, que se encontrava lá, meio amassada, como um papel de bala, acomodada bem nas palmas de suas mãos.

Hoje eu acordei com os olhos inchados, parece até que levei um soco embaixo de cada olho. O gosto na boca é pior ainda, uma mistura de borra de café , boldo e óleo de rícino de bacalhau. Meu cabelo parece um ninho de urubús infestado de cupins e para ajudar não tinha água em casa, sei lá eu por quê.
Olho no espelho, e sei que tenho duas opções (viva a dualidade!). Posso chorar, ou posso rir.
Tenho preferido rir.
Antes que eu seja mal interpretada, tenho algo a esclarecer... Eu sei o quanto é importante entrarmos em contato com as profundezas da alma humana, com a intensidade da dor, com a verdade do que se passa dentro de nós. Sou psicóloga, lembram? Não tenho como evitar tudo isso. Penso que faz parte de uma existência significativa visitar com certa freqüência o nosso mundo interno, esse lugar sagrado cravado no coração de uma floresta inexplorada. Mas esse lugar existe para ser “visitado”, para nos oferecer suas bençãos. Não foi feito para ser habitado o tempo todo, pelo menos neste planeta.

Precisamos aprender a mergulhar em nossa profundidade, resgatar de lá os nossos tesouros, na forma de sentimentos, colares de lágrimas talvez, e depois nos erguermos, leves e alados, sobre a copa das árvores, celebrando as nossas conquistas com um vôo pleno de alegria. Precisamos aprender a fazer uma dança entre o que se passa dentro e fora de nós. Mergulhar e respirar. Sorrir e chorar. Aprofundar e levitar.

Onde mesmo eu estava?

- Ah... Tenho preferido rir...
Eu sei que você muitas vezes encontra coisas difíceis quando mergulha em suas profundezas.
Mas hoje quero lhe dizer que você deveria tentar, rir mesmo quando o seu coração está apertado. No começo parece triste eu sei, como pode parecer triste a alegria do palhaço. Mas se você tiver alma de criança a coisa muda de figura. A criança, em sua deliciosa inocência, não fica o tempo todo se questionando se a alegria do palhaço é alegre mesmo. Ela simplesmente ri, e se diverte, e ao fazer isso faz os adultos rirem também, mesmo aqueles que estavam imersos em suas inúmeras e profundas questões filosóficas e existenciais.
Você pode me acusar de ser simplista, sei que corro esse risco. Talvez até esteja certo.

Mas me dê um desconto... acordei com uma cara tão feia hoje, que se não conseguir rir vou me acabar de chorar, vou ter que gastar uma nota preta em cirurgia plástica, mais um tanto em cosméticos, maquiagem, terapias (nada contra terapia, gente... afinal sou terapeuta!) e antidepressivos.
Então, com sua permissão, hoje eu prefiro rir!

Para ter sucesso é preciso foco, estratégia e trabalho

Para ter sucesso é preciso foco, estratégia e trabalho
por Roberto Shinyashiki



"Não se iluda: o único lugar onde o sucesso vem antes do trabalho é no dicionário"

Quando você tem um objetivo bem definido, coloca toda a sua energia nele e o resultado dessa dedicação acaba aparecendo.

Osho conta que certa vez estava procurando um jardineiro para cuidar de suas flores. Todo ano ele ia assistir a um concurso de rosas que existia em sua cidade natal e que premiava o criador do mais belo exemplar. Osho gostava de apreciar as flores, apesar de achar que a competição era injusta, pois o premiado era o dono do jardim e nunca o jardineiro. Havia um militar que sempre ganhava e Osho ficou curioso para saber quem era o seu jardineiro. Um ano, após ver o homem vencer mais um concurso, ele seguiu o militar até sua casa. O sujeito entrou com a sua rosa premiada sem ao menos cumprimentar o jardineiro. Osho resolveu conversar com o jardineiro para descobrir o seu segredo.

Comentou que a rosa dele havia ganho o primeiro lugar no concurso e o jardineiro nem deu atenção ao fato, pois disse que para ele o importante era cuidar das rosas e não saber o que acontecia com elas.
Então o jovem Osho perguntou qual era o seu segredo... E o jardineiro respondeu:
— O segredo é escolhr o botão mais bonito e cortar todos os outros, porque a roseira tem uma quantidade limitada de seiva para os botões. Se eu deixar todos os botões, nenhum receberá a quantidade necessária de alimento para atingir todo o seu esplendor.

Em nossa carreira profissional pode acontecer o mesmo fenômeno: se você colocar a sua energia em várias carreiras ao mesmo tempo, seus esforços acabarão se dispersando e no final das contas você não verá seus esforços florescerem.
Por causa dessa dispersão, infelizmente eu tenho visto muitas pessoas transformando seus sonhos em pesadelos. Muitos jovens sonham com carros importados e casas luxuosas, mas no final das contas acabam andando mesmo é de ônibus. Aprenderam a sonhar, mas não aprenderam a criar os recursos necessários para criar suas vitórias.
Trabalham frustrados porque não sabem o que querem, não têm consistência em suas ações e vêem o trabalho como uma obrigação desagradável.

Nesses trinta anos de carreira, tenho trabalhado com muitos profissionais e tenho visto talentos se perderem por falta de foco: alguns não têm uma estratégia, outros não se importam em desenvolver suas competências e outros ainda não sabem trabalhar com dedicação.
Se atentarmos a este último, perceberemos que o mundo do sucesso estimula a ilusão de que é possível ter sucesso sem trabalho. Resultado: muitas pessoas se frustram e outras acabam fazendo qualquer negócio para ter sucesso, e quando acordam percebem que foram usadas como uma jovem atriz pornô.

Há caminhos objetivos, que evitam que você se distraia e se perca durante a caminhada, mas o caminhar é fundamental. Não se iluda: o único lugar onde o sucesso vem antes do trabalho é no dicionário.

Sabedoria também é perceber o momento de parar de lutar

Sabedoria também é perceber o momento de parar de lutar
por Roberto Shinyashiki


Não dá para ganhar sempre! Lembro que, durante minha vida de médico, às vezes via colegas se torturarem pela morte de um paciente que não tinha a mínima chance de viver. Eu admirava a capacidade de luta dessas pessoas, mas sempre achei que temos de aceitar que quem decide sobre nossa vida é Deus.

Minha mãe foi minha melhor professora na arte da superação. Ela foi sempre um exemplo de luta, mas no final da vida me deu uma aula de sabedoria ao aceitar uma perda. Ela teve câncer. E só Deus e os filhos sabem como lutou contra a doença. As metástases se espalhavam por seu corpo, a dor ia tomando conta dos seus dias, mas nem o sofrimento diminuía sua força para lutar. Até que um dia, enquanto eu aplicava mais uma das inúmeras injeções para aliviar sua dor, ela me olhou com serenidade e falou:

— Seja feita a Sua vontade...
— O quê, mãe? Não entendi... — eu disse.

E ela completou:

— Seja feita a Sua vontade, assim na Terra como no céu. Acho que chegou a hora de eu ir para o outro lado. Acho que Ele me quer perto dele. Meu filho, acho que é hora de parar de lutar e aceitar a minha morte...

Para mim, foi impossível aceitar a morte de minha mãe e comecei a chorar muito. A gente se abraçou forte, enquanto as lágrimas escorriam dos meus olhos. Enxugando meu rosto, ela me disse: “Filho, fique tranqüilo. Eu prometo que vou continuar cuidando de vocês...”

Depois desse momento, ela começou a se preparar e a nós, da família, para sua passagem. Tenho certeza de que continua cuidando de mim e dos meus irmãos, mas demorou muito tempo para eu entender isso.

Durante toda a sua vida, minha mãe sempre me ensinou a lutar intensamente para realizar um sonho, mas, no final, foi ela também que me fez entender que há um momento em que devemos nos entregar e dizer: “Seja feita a Sua vontade, assim na Terra como no céu...”

A partir desse momento, aceitamos que existe uma lógica no universo acima da nossa compreensão. Aceitamos que é melhor deixar o incêndio queimar até o último móvel para então começarmos a construção de uma nova casa.

Afinal, sabedoria também é compreender qual é o momento de parar de lutar como um leão e aceitar a perda. Nesse instante, parece que a mente silencia e o coração se aquieta. Uma sensação de vazio toma conta da gente. E é exatamente esse vazio que você vai preencher com amor. Aceitar os momentos de perda vai ser fundamental para você se preparar para os novos desafios de sua vida.

Desfazendo-se da própria armadilha

Desfazendo-se da própria armadilha
por Angelina Garcia


Passos para o positivo: Responsabilize-se pela própria insatisfação; sinta o que tiver de sentir sem medo ou vergonha; saia desse 'mergulho' e distancie-se da situação. Assim poderá perceber que você e a situação são coisas distintas

Custava a acreditar que a amiga houvesse mudado tanto. O fato de se verem bem pouco e em encontros rápidos, nos últimos cinco anos, talvez justificasse sua incredulidade. Conheceram-se na infância e, desde então, Sílvia passara a admirá-la, principalmente pelo prazer que Natália tirava de cada acontecimento. Costumavam identificá-la como aquela que ri à toa, parece boba. Não era. É que sabia mesmo sentir a vida com um prazer tamanho que conseguia rir até dos tombos que levava, inclusive daqueles quando tentava apanhar a única goiaba na pontinha do galho mais alto. O risinho infantil deu lugar à gostosa gargalhada da adolescência, que continuou sua marca na idade adulta.

Após duas horas na festa, ameaçara dois ou três sorrisos, aqueles de canto da boca ou de lábios cerrados. Não bastasse a ausência da sua alegria, mostrava-se insatisfeita com tudo, a algazarra de crianças esbarrando na mesa; o garçom que demorava demais para trocar os pratos; a bebida na temperatura inadequada; até a canção ao vivo, de que gostava tanto, dizia estar mal interpretada. Fosse tudo verdade, em outros tempos, faria piada.

Ao decidir interpelá-la, Sílvia constatou que se enganara ao pensar que alguma coisa muito séria estaria acontecendo à amiga. Nada que fugisse ao cotidiano: a condição de profissional, mãe, esposa, filha, irmã. Papéis que dão a todos nós tanto alegrias quanto preocupações. Mas à medida que Natália avançava em seu relato, podia-se perceber que a sua insatisfação decorria da maneira como lidava com essas questões.

Culpava seu gerente por lhe dar mais tarefa que aos outros funcionários; aos filhos por não perceberem suas necessidades de mulher e ao marido porque não reconhecia o seu esforço em manter tudo em ordem para não perturbá-lo. Lamentava-se do cansaço, do sono maldormido, da irritação constante, do choro sempre iminente, da perda de interesse por qualquer coisa.

Como que levada pelas circunstâncias, fazia por fazer, sem conseguir identificar o que de fato lhe pertencia por escolha. O buraco é fundo e a parede escorregadia, queixava-se.

Quando se culpa o mundo por se sentir infeliz, são necessários dois movimentos que, à primeira vista, parecem contrários, contraditórios mesmo. Não são.

O primeiro é no sentido de se responsabilizar pela própria insatisfação, revendo atitudes que, ao longo do tempo, foram contribuindo para que se chegasse a tal ponto. Deixe que venham a dor, o lamento, a culpa, o dó e, ao mesmo tempo, a raiva de si mesmo. Não tenha medo nem vergonha em senti-los, mas não fique nesse lugar por mais tempo que o necessário; há o risco em achá-lo confortável e não querer sair. Esse é apenas um mergulho necessário para o segundo movimento: distanciar-se da situação. Perceber que você e a situação são coisas distintas. Ela lhe pertence, mas não está misturada a você.

Algumas pessoas conseguem alternar esses movimentos deixando curto espaço entre eles. Outras precisam de mais tempo em um, ou em outro, para se permitirem um terceiro: a ação transformadora. Cada um vai encontrando seu ponto de equilíbrio entre o sentir, distanciar-se e transformar, lembrando sempre que o processo exige grande esforço e muita paciência.

Reconhecendo os presentes e agradecendo...

Reconhecendo os presentes e agradecendo...
Rubia A. Dantés

Sabe um daqueles dias onde tudo te parece meio sem graça e sem perspectivas?
Pois é... foi em um dia assim quando nada me despertava entusiasmo, que eu entendi uma verdade que me serve sempre... sempre que eu não me esqueço dela, e... caso esqueça, o Universo dá um jeito de dar uma chamada para me lembrar de novo..

Naquele dia cinzento e sem graça eu me vi reclamando de muitas coisas... e quanto mais reclamava.... mais coisas apareciam para serem reclamadas... e a cada reclamação eu ia me sentindo pior... Tão pior que não me agüentava mais em mim de insatisfação....

Foi aí que fui socorrida por um telefonema de uma amiga que me contou como fazia nesses dias em que tudo parecia não estar dando certo... Ela me disse que começava a agradecer... Como a princípio, quando estamos de baixo astral, não encontramos nada que tenhamos vontade de agradecer, ela agradecia pelo sol, pela respiração, pela saúde do corpo... etc.
E à medida que ia agradecendo, mais coisas apareciam e ela constatava o tanto que tinha a agradecer.

Bom... faz muito tempo que eu não vejo essa amiga, mas o que ela me ensinou me faz ser muito grata a ela porque foi um presente inestimável...

Outro dia... pouco antes do dia de Reis, eu quase me esqueci do tanto que tenho para agradecer e já ia me deixando levar por um pouco de desânimo, quando uma mensagem providencial que tirei em um oráculo me fez despertar para o que eu já estava cansada de saber... Tirei a carta da gratidão...

Comecei a agradecer e vi claramente os muitos presentes que a vida tem me dado dia após dia...

E enquanto estava agradecendo, conectada com o coração, reconhecia coisas que estavam na minha realidade e das quais nem eu me dava conta que se tratava de presentes muito preciosos...
Coisas com as quais nos acostumamos tanto que nem percebemos serem elas dignas de muita gratidão, foram desfilando pouco a pouco pela minha mente e despertando em mim um sentimento de profundo agradecimento....

Percebi que entre você ter uma coisa e reconhecer o que tem, dando o devido valor... existe uma grande diferença... tão grande que pode transformar a sua vida...

Nos dias que se seguiram continuei a reconhecer e agradecer os presentes e isso foi me fazendo um bem tão grande que resolvi fazer, no dia de Reis, em sintonia com essa energia tão bonita, uma pulseirinha de contas, para usar como uma maneira de não me esquecer de reconhecer e agradecer os presentes...
É que temos a mania de esquecer de coisas boas que de tão simples parecem não ter valor... Quem nunca passou pela experiência de só dar valor a uma coisa depois que já não a tem mais?

É que nessa correria louca que a sociedade tenta nos impor, onde somos incentivados a conseguir cada vez mais coisas, quase não temos tempo para usufruir do que conquistamos... e com isso nem nos lembramos de agradecer.

Diminuir o ritmo... respeitando o do próprio coração, nos faz encontrar muitas e muitas coisas para agradecer... agora mesmo... na nossa vida, e nos faz perceber como isso tem o poder quase mágico de mudar a nossa realidade de uma forma surpreendente... e encantada...

Paz

Paz
Rubia A. Dantés


Mesmo com muita vontade de ficar quieta e em silêncio para aproveitar aquele sentimento bom de paz e bem estar que estava sentindo, não tive como não ir ao banco e a outros lugares onde teria que fazer algumas coisas que não podia mais adiar. Todos lugares com muito movimento... e só de pensar em enfrentar esse movimento todo me dava arrepio.

Pensei que iria perder esse estado de Ser e de estar em paz que me acompanhava há alguns dias... depois de uma liberação muito grande, eu tinha a nítida sensação de que deixara para trás muitas coisas e que me encontrava em um novo patamar... e essa vontade de ficar quieta vinha do cuidado com o novo. Assim como quando uma criança nasce e a gente toma certos cuidados, percebi que partes minhas novas estavam chegando e também requeriam cuidados e sossego.

Mas a vida não pára e há horas que não tem como não fazer determinadas coisas.

Preparei-me então, para deixar a caverna em que me encontrava e sair.... e me veio uma chave preciosa... mesmo que o caos impere ao nosso redor nós sempre podemos passar por ele sem nos identificarmos... podemos manter o centro e dessa conexão manter a paz que vem da Alma.

Muitas vezes somos colocados no meio de muito tumulto... nem sempre podemos escolher onde vamos estar... mas sempre podemos escolher como vamos passar por aquilo, podemos escolher onde vamos nos conectar. Podemos nos conectar ao que nos chama para fora, ou com o nosso centro e com o Universo...

A nossa escolha de cada dia é com o que vamos nos identificar, já que não podemos filtrar a vida para que só passemos por coisa agradáveis e por ambientes tranqüilos e acolhedores.
Podemos passar pela vida sem nos identificarmos tanto com o caos ao nosso redor que nos chama de muitas formas, trazendo preocupação, medo, culpa... e todas essas coisas que tentam nos tirar do eixo, nos puxando para fora e nos tirando a paz

Sai assim... ligada ao meu centro e passei por tudo com calma. Fui tranqüilamente ao banco, sempre centrada na paz... e me surpreendi como no meio do aparente caos de um dia agitado eu cruzei com muitas pessoas que transmitiam muita paz no olhar. Volta e meia meu olhar era atraído por outro na mesma sintonia... pelas folhas de uma árvore bonita que se moviam ao vento... por um raio de Sol entre as nuvens... tudo me dava essa sensação...
Parece que ao escolher a paz a gente consegue perceber como ela se amplia cada vez mais... e mais...
Voltei para casa feliz.

O Universo sempre nos dá escolhas, por mais complicadas que possam parecer as situações. Olhar tudo a partir do centro nos leva a sentir que a vida pode revelar muito mais do que a aparente confusão, que às vezes vemos ao nosso redor... e que nada pode nos tirar a paz, se ela vem de dentro...

De novo aos Dons...

De novo aos Dons...
Rubia A. Dantés


Volta e meia me vejo encantada pelos dons... e agora não é diferente... parece que vamos abrindo mais e mais possibilidades... e os dons nos levam a uma viagem de profundo reconhecimento do Sagrado

Tenho sentido como muitas pessoas estão tendo um chamado muito forte para encontrar e estar no pleno exercício dos seus dons, porque sentem que desse encontro vem o reconhecimento de estarem ocupando o seu lugar na teia.
E também tenho percebido que outras pessoas tem tido literalmente ‘puxado o tapete’... e tudo que lhes dava segurança, de repente deixa de existir...
Nessas situações me parece que a intenção do Universo é bem clara... é porque a pessoa tem o potencial de encontrar seu dom e de estar a serviço do
Todo, mas está um pouco acomodada.

E assim, como um pai generoso e extremamente amoroso, o Grande Mistério nos chama... a princípio num sussurro que, se estivermos atentos e abertos será suficiente... mas, se estivermos presos e nos acomodarmos a velhos esquemas
que não representam mais Quem verdadeiramente Somos, pode ser que essa voz precise ser mais forte...
Se estivermos adormecidos para o chamado da Alma, precisaremos mesmo de uma boa sacudida.

Na verdade, nos acostumamos com tudo... e quando nos damos conta nos acostumamos até a acostumar-nos... e com isso perdemos o contato com o que realmente tem valor para a Alma... com o que realmente nos alimenta.

Acostumamos-nos a ceder terreno para o ego, pouco a pouco... e nesse ceder terreno nos perdemos até da lembrança que existe dentro de nos... um
potencial único e extremamente mágico a ser acessado e desenvolvido... existe um Dom a ser buscado... o Dom de Sermos inteiros e de estarmos ocupando o lugar que mais ninguém pode ocupar tão perfeitamente, como cada
um que “Se” encontra.

Cada um de nós tem algo muito especial e que faz a diferença para o Todo... cada um de nós tem uma forma única de se expressar e de estar a serviço, que faz com que tudo mude ao nosso redor...

Se você sente uma saudade e uma certeza que existe algo a ser feito... não se acomode... dê um passo em direção ao que a sua Alma quer...
A escolha desse primeiro passo é nossa, mesmo que nos pareça um salto no desconhecido... sem nenhuma garantia, mas é um risco que precisamos correr algumas vezes para nos desvencilharmos das falsas ilusões de segurança.

Mas... você nunca está só quando segue os caminhos da Alma... você tem toda ajuda visível e invisível... as sincronicidades te dão energia nos momentos
de dúvida e a rotina nunca mais será sua companheira de jornada...

E sempre tem mais e mais... a ser explorado... a ser descoberto.

Agora é a hora... aqui é o lugar... e você é a pessoa certa...

O que está esperando?

Amor demais ou Dependência ?

Amor demais ou Dependência ?
por Roberto Dantas


Amar é o sentimento básico, humano e imprescindível para todos nós. Amar é o que todos querem; ser amados, mais ainda.

As grandes obras de arte e os grandes mitos que fazem parte do acervo universal da humanidade trazem obras que retratam o amor de forma quase obsessiva como, por exemplo, Romeu e Julieta, Don Quixote, entre muitas outras. As obras poéticas que mais sucesso fazem retratam um amor forte, firme, ligado, a ponto de levar um dos parceiros a dizer, por exemplo: “não posso viver sem você...”, ou “Minha vida não faz sentido sem ele(a)...”.

Isso é amor pra você? Amor que leva a pessoa a desistir de viver deve ser visto não como forma de amor, mas como falta de amor, no caso, por si mesmo. Então, podemos começar pensando como uma pessoa chega a colocar tanto de sua própria vida no outro.

O escritor Saint Exupèry disse (e foi pouco entendido...): “Você é responsável por aquele a quem cativas.” Mostra que quando conhecemos uma pessoa criamos laços subjetivos dentro de nós e, assim, colocamos esta pessoa “pra dentro” de nós e ela nos põe pra dentro de si também.

O psicólogo Jung também disse que “o encontro entre dois seres humanos pode ser como duas substâncias químicas que se encontram: se houver química, depois disso nenhuma das duas será a mesma...”.

Devemos pensar que o amor romântico é muito mais uma força da natureza através da qual Deus, ou a Deusa, nos move, nos guia e nos mostra o que Ele (ou Ela) quer de nós. Assim podemos seguir uma das pistas para encontrarmos nossa missão nesta vida.

Mas antes de investirmos nossa vida toda em função de outra, pode parecer muito bonito para quem lê um poema, assiste um filme ou uma novela, mas na vida real, isso pode ser muito problemático. Existem muitos casais que não se separam por dependência, muitas vezes ditas como financeira, mas, na verdade, esta também pode ser considerada emocional.

O amor deve ser antes para si, como diz o velho jargão popular: “Você deve gostar de si mesmo antes de gostar do outro“. Quando estamos bem conosco mesmos, nossa energia se expande e as pessoas à nossa volta percebem, sentem e gostam da gente.

O parceiro(a) não pode ser uma condição para sermos felizes, mas um complemento. Isso pode parecer egoísta, mas não é. Na verdade é uma questão de Auto-Estima.

Difícil Tarefa

Pelas trilhas de nossa passagem por este universo de encanto...
Apresenta-nos o sol seu poder e força;
a lua seu encanto e mistério;
as estrelas sua luz amiga;
os oceanos sua beleza e alimento;
os rios a água para nossa sede;
oferece a terra o solo para o labor;
e, para nos acompanhar ainda...

Bosques e jardins floridos a encantar nossa alma.
Os céus com suas nuvens para lembrar dos anjos.
Enfim, o ar, o grande irmão de todo este esplendor,
mostrará sem dúvidas face oposta
onde encontraremos a dor, a miséria, a corrupção,
a traição, a doença, a inveja e a falsidade...

A grande serpente tentando através de meios
até sedutores tomar nossa visão...

Nesta batalha somos nós que escolhemos nosso caminho...

Optar por entregarmo-nos ao sono justo,
Ou, termos pesadelos provocados por nossas escolhas,
De nossa auto-afirmação.
E, estarmos prontos a enfrentar estas situações.
Devemos nos abastecer sempre do amor,
fonte emanada por anjos, cuja missão,
é a de observadores de um grande e único Pai...

Quantas vezes para ser grande é necessário renúncia?
Quantas vezes é mais importante
o sorriso de quem amamos do que o nosso próprio?
Até onde estamos prontos para poder falar
em alto e bom som, sou filho de Deus!?
Por quantas vezes todo o encanto
é oferecido a muitos que dele fazem pouco caso,
como: “depois pego, depois uso, depois me entrego”...

Certamente, entre as coisas prazerosas o grande perigo,
Porque tudo que é passageiro é miragem...
Mas pode custar aos que dela se aproximam
a perda de coisas reais
que não acreditavam poder acontecer...

Assim, o homem, ser que se julga acima de tudo,
se transforma em inquilino de um mundo fantástico.
Que desenhado por um arquiteto único lhe é ofertado.
Um dia, como qualquer senhor, dono desta grande locação,
Ele chamará o seu inquilino para a grande prestação de contas...

E, todo aquele que não se sentir com suas contas em dia
Relutará, e muito, a esta passagem,
Pois, lhe será uma tarefa difícil demais!

Paulo Nunes Junior

Todos estão certos e errados

Todos estão certos e errados

Martha Medeiros


Gosto dos livros de ficção do psiquiatra Irvin Yalom (“Quando Nietzche chorou”, “A cura de Schopenhauer”), e por isso acabei comprando também seu mais recente lançamento, “Os desafios da terapia”, em que ele discute alguns relacionamentos padrões entre terapeuta e paciente, dando exemplos reais.

Eu devo ter sido psicanalista em outra encarnação, tanto o assunto me fascina.

Ainda no início do livro, ele conta a história de uma paciente que tinha um relacionamento difícil com o pai. Quase nunca conversavam, mas surgiu a oportunidade de viajarem juntos de carro e ela imaginou que seria um bom momento para se aproximarem. Durante o trajeto, o pai comentou sobre a sujeira e degradação de um córrego que acompanhava a estrada. A garota olhou para o córrego ao seu lado e viu águas límpidas, um cenário de Walt Disney. E teve a certeza de que ela e o pai realmente não tinham a mesma visão da vida. Seguiram a viagem sem trocar mais uma palavra.

Muitos anos depois, a mulher fez a mesma viagem, pela mesma estrada, desta vez com uma amiga. Estando agora ao volante, ela se surpreendeu: do lado esquerdo, o córrego era realmente feio e poluído, como seu pai havia descrito, ao contrário do belo córrego que ficava do lado direito da pista. E uma tristeza profunda a abateu por não ter levado em consideração o então comentário de seu pai, que àquela altura já havia falecido.

Parece uma parábola, mas acontece todo dia: a gente só tem olhos para o que mostra a nossa janela, nunca a janela do outro. O que a gente vê é o que vale, não importa que alguém tão perto esteja vendo algo diferente.

A mesma estrada, para uns, é infinita, e para outros, curta. Para uns, o pedágio sai caro; para outros, não pesa no bolso. E saindo da metáfora para a realidade: boa parte dos brasileiros acredita que o país está melhorando, enquanto a outra perdeu totalmente a esperança. Alguns celebram a tecnologia como um fator evolutivo da sociedade, outros lamentam que as relações humanas estejam tão metálicas. Uns enxergam nossa cultura estagnada, outros aplaudem a crescente diversidade.

Cada um gruda o nariz na sua janela, mesmo sabendo que tem gente sentada ao lado vendo coisa diferente.

Eu costumo dar uma espiada no ângulo de visão do vizinho. Isso me deixa menos enclausurada nos meus próprios pontos de vista, mas, em contrapartida, me tira a certeza de tudo. Dependendo de onde se esteja posicionado, a verdade pode estar do nosso lado, mas a perderemos assim que trocarmos de lugar. Só enxergando os 360 graus que nos rodeiam é que seremos totalmente sábios. E essa sabedoria recomendará que falemos menos, que batamos menos o martelo, que sejamos menos enfáticos, pois teremos descoberto que todos estão certos e todos estão errados em algum aspecto da análise.

E eis que agora me deparo com a tela em branco do meu computador, pedindo para ser preenchida com palavras que relatem o que enxergo da minha janela. Por coerência ao raciocínio desenvolvido até aqui, acabo de resolver que hoje é um bom dia para calar e simplesmente curtir a viagem.

Buscar nova percepção da realidade só depende de você

Buscar nova percepção da realidade só depende de você

Você pode mudar o mundo. Basta mudar o seu olhar!
Você já percebeu que algumas pessoas perecem ter a capacidade de constantemente se encantar com o mundo e a vida, enquanto para outras tudo parece sempre cinza e sem graça?
A física quântica ressalta que o observador tem importância fundamental naquilo que é observado. Conforme vou lendo sobre essas inúmeras teorias da física moderna, vou logo imaginando a realidade como sendo uma sopa flutuante, feita de infinitas possibilidades, um pouco parecida com aquela sopa de letrinhas que me divertia tanto quando eu era criança.

Pense comigo: tudo (TUDO MESMO) seria possível. Qualquer possibilidade, "todas" as possibilidades estão lá, agora mesmo! As letrinhas poderiam se combinar em toda e qualquer palavra, de qualquer idioma. Mas apenas naquele breve momento em que abrimos os nossos olhos e olhamos para o mundo, essa sopa tomaria a forma de uma “realidade” única e específica, aquela que observamos, uma única palavrinha se equilibrando na borda do prato. E assim que deixamos de olhar, tudo vira a “sopa de possibilidades” de novo. UAU!

Já tentei fechar os olhos e abri-los bem rápido, antes que a “sopa” tivesse chance de virar o que estou acostumada a ver, mas nunca fui rápida o suficiente, ou talvez não esteja pronta a desvendar esse mistério.
Outro dia, lendo um livro de *Rubem Alves (Perguntaram-me se acredito em Deus) encontrei um trecho que ajudou-me a pensar ainda mais nessa questão:
“Os olhos são a lâmpada do corpo. Se os olhos forem bons, o mundo será belo. Se os olhos forem maus, o mundo será sinistro. O Paraíso mora dentro dos olhos.”
Acabamos sempre filtrando a realidade, a sopa de possibilidades, reduzindo-a através de um conta-gotas: nossa percepção.
O observado é influenciado pela nossa observação. Sendo assim, nunca poderemos mudar o mundo se não formos capazes de mudar os nossos olhos.

Curiosa que sou, resolvi experimentar!
Todos nós recebemos, ao nascer, uma caixinha secreta. Dentro dela existem vários pares de olhos. Algumas pessoas nem sabem possuir a tal caixinha. Outros a descobrem logo e vão colecionando novos olhos no decorrer da vida, trocando com outras pessoas, encontrando olhos nos lugares mais inusitados: dentro de livros, em museus, teatros, casa de amigos especiais. Uma vez encontrei um doce par de olhos dentro de uma caixinha de alpinos, podem acreditar!
Apesar de ter colecionado olhos desde que nasci, eu nunca tinha feito a experiência de prová-los, e estava cheia de excitação ao imaginar o que aconteceria quando o fizesse. Abri minha caixinha e retirei de dentro dela um par de olhos, vermelhos como sangue. Olhando de perto percebi que tinham umas ranhuras que me lembravam os raios que cruzam os céus em noites de tempestade.

Com cuidado, retirei meus próprios olhos de meus globos oculares e aninhei em seu lugar os novos olhos vermelhos, tendo o cuidado de deixar as pupilas voltadas para fora.
No mesmo instante o mundo se tornou feroz, um verdadeiro inferno com direito a diabinhos de rabo pontudo, tridentes e labaredas! Olhei pela janela e vi assaltos, injustiças, desrespeito e ódio. Vi o Ali Babá e os quarenta ladrões gritando “Abre-te Sésamo!!!” e vi enormes e antigas paredes protegendo-os com suas sólidas estruturas. Quanto mais olhava, mais sentia uma fúria se apossar de meu ser. Mal podia esperar a chance de eletrocutar um deles com os raios que saiam de meu olhar. Meu corpo tremia, minhas mãos se tornaram estranhamente frias e eu poderia jurar que coração algum batia em meu peito.

Nesse exato momento ( talvez enviado por um espírito guardião), Sky, meu gato preto, veio em minha direção em busca de seu afago matinal. Ao dar de cara com aqueles olhos horripilantes, não teve dúvidas, partiu para cima de mim com todas as unhas para fora! Isso fez com que eu recobrasse a consciência e, mais do que rapidamente, retirei de meu rosto aqueles olhos assustadores.
Sky acalmou-se, instantaneamente.

Trêmula, tateei pela caixinha e escolhi aleatoreamente novos olhos. Ao olhar no espelho, vi que era um belo par de olhos brancos, tão brancos como a intocada neve do topo de uma montanha. Os olhos tinham, aqui e ali, minúsculos pontos prateados, que os tornavam parecidos com uma chuva de meteoros em uma noite de luar.
Meu corpo inteiro relaxou quando abri aqueles olhos. E de repente tudo se tornou belo. Tão belo que me fez lembrar de outra frase desse mesmo livro do Rubem Alves:
- A pergunta não deveria ser “Você acredita em Deus?”, mas “Você se comove com a beleza?”

E eu estava profundamente comovida.
Não que deixasse de ver os roubos e injustiças de antes. A diferença era que esses olhos me permitiam amar o mundo mesmo assim.
E como enxergavam longe esses olhos...
Viam não apenas o que lá estava, mas também a possibilidade adormecida em tudo. Via sim os 40 ladrões, que continuavam contando moedas de ouro ao lado do Ali Babá, mas via também, dentro de cada um deles, uma sementinha dourada de consciência. É verdade que em alguns a sementinha era tão pequena, mas tão pequena, que era menor do que a menor coisa que você possa imaginar! Mas, ainda assim, estava lá.
E era assim que eu olhava para todas as pessoas. E uma coisa incrível acontecia... conforme eu ia caminhando com esses olhos por entre as pessoas, pontinhos prateados iam se soltando de meu olhar, unindo-se às sementinhas douradas que existem dentro de cada ser humano, e como se uma magia começasse a acontecer, quando prateado e dourado se uniam, uma luz começava a brilhar!

Ao meu redor ia aparecendo um mundo cada vez mais belo. Ética, respeito, generosidade, entendimento... tudo começava a brotar, como um jardim que ia ocupando o espaço das ervas daninhas.
Com essa experiência eu toquei o Paraíso, acreditem. Enxerguei um mundo possível e entendi que cada um de nós não só enxerga seu mundo particular como também cria a partir do que vê.
Somos co-criadores da nossa realidade ! - eu entendi isso ao usar minha caixinha de olhos.
E é com aqueles olhos brancos prateados que eu estou olhando para você agora, e o que estou vendo é belo... belo demais.
(Você está vendo uns pontinhos prateados aí na tela do seu micro?).
Uma sugestão... não deixe sua caixinha de olhos mofando em algum lugar de sua casa. Use-a!
(Mas saiba escolher, ok?)

*Rubem Alves: psicanalista, educador, teólogo e escritor

por Patricia Gebrim

Mistérios do coração

Mistérios do coração

Acreditamos que o coração tem seus mistérios...
Porque gostamos de quem nos ignora?
Porque amamos quem não faz por merecer?
Porque temos receio de buscar a felicidade com medo de sofrer?
Chorar por um amor bandido...
Brigar por um amor maldito...
Fugir de um amor impossível...
Porque nos maltrata o coração?
Se o coração entra em conflito com a razão
Nos tornamos reféns de nossa própria vida!
Nos acorrentamos aos grilhões do amor
E passamos a vida a sofrer por essa imensa dor!
BUSCAR
a felicidade é a razão de nossas vidas...
ENCONTRAR a felicidade é uma dádiva...
VIVER a felicidade é um longo aprendizado...
MANTER a felicidade é o grande enigma da humanidade!
Como fazer para não amar a pessoa errada?
Como fazer para encontrar e manter a felicidade?
Como fazer para encarar o medo do sofrimento?
Sorte? Disciplina? Não existe solução?
Será que algum dia, talvez, os mistérios do coração nos serão revelados?
.... o que fazer então?
Viva o momento!!!!
A vida é feita de momentos felizes e tristes...
Viva intensamente os felizes; sem medo do amanhã...
Tente minimizar os tristes; colha os ensinamentos de seus erros!
Nunca deixe o medo e o negativismo comandar a sua vida.
Quem vive em cima do muro não aprende a encarar os momentos de sofrimento...
Quem vive em cima do muro não aprende a conservar os momentos de felicidade...
Com medo de sofrer acaba não sorrindo...
Com receio de sorrir se abriga na tristeza!
Quem vive encima do muro não aprende a lutar por uma vida mais feliz!!!!!
Para entender os mistérios do seu coração comece escutando o que ele tem a dizer...
Cada coração tem seus próprios mistérios.
Escute a essência dos seus anseios...
Sem conceitos pré concebidos, sem interpretação, sem medo!
Para ser feliz é necessário saber sofrer...
Para saber sofrer é necessário ser feliz...
Para superar o sofrimento é necessário buscar a felicidade!
O grande mistério do coração é que não existem mistérios!
Apenas devemos aceitar que precisamos continuar seguindo...
Buscar os nossos sonhos...
Acreditar que sofrimento e felicidade são partes de um mesmo ciclo...
Que nunca termina; nem mesmo com a morte...
Pois está na essência (alma) do ser...
E faz parte desse fantástico sistema chamado "VIDA"!

Ivan F. César

Descobrindo nossa missão

Descobrindo nossa missão


Gosto de abordar o tema “missão”, pois acredito que seja o aspecto mais importante da vida e que se reflete como ponto-chave em todo trabalho de auto-conhecimento, na espiritualidade e na psicoterapia. Isso porque os sofrimentos estão sempre ligados a um desequilíbrio entre o que “somos” e o que “queremos ser”. E o que seria esse “somos” e esse “queremos ser“?!

Com “somos” me refiro ao como “conseguimos ser” dentro de nossas possibilidades e das circunstâncias de nossa vida. Com “queremos ser” quero me referir ao que nossa natureza nos impulsiona sermos, ao que nosso coração quer e que muitas vezes não entendemos a sua mensagem. Isso porque não estamos acostumados a ouvir a voz do coração, pois a nossa sociedade ocidental dá mais valor ao lado racional e lógico da personalidade. As crianças são vistas como mais inteligentes quando vão bem em matemática, ou hoje em dia, quando gostam e têm mais habilidade em lidar com o computador, apesar de tudo isso ter a ver somente com o lado lógico e racional da personalidade. Muitas crianças têm facilidades para o desenho, ficam mais tempo brincando com seus brinquedos e entram num mundo de sonhos onde podem exercer seu poder criativo e desenvolvem, assim, uma construção bem mais ampla da vida através de suas imagens interiores.

Muito se tem falado sobre missão. James Redfield disse: "Todos nós temos um propósito espiritual, uma missão, que andamos buscando sem estar plenamente conscientes dela e uma vez que a trazemos completamente à consciência, nossas vidas podem decolar.”

Como seguir o conselho de Redfield? Para trazê-la à consciência precisamos entender bem o que seja esse propósito. O psicoterapeuta Thomas Moore fala sobre “o chamado de um lugar que é fonte de significado e de identidade”.

Somos como células de um magnífico universo e, como tais somos parte do Todo e portanto temos uma missão nessa cadeia. Cada célula tem a sua missão a partir de suas características próprias, pois não existem por acaso. No caso dos seres humanos, seus temperamentos e suas habilidades, mas também suas motivações mais íntimas. Para o teólogo Matthew Fox, "a vocação é o nosso chamado para participar da obra do universo e, portanto, nossa missão seria nosso “papel no Cosmo”.

A nossa missão não é uma coisa abstrata ou inventada, mas é a nossa “verdade”, única e pessoal, independente de crença, leis, valores morais, imposições da sociedade. É uma imposição da nossa natureza, uma verdade íntima.

Os conflitos cujo efeito buscamos cessar com psicoterapia, têm muito a ver com a missão de vida. Nossa busca espiritual está intimamente ligada a esse significado de que falam Moore, Redfield e Fox. Cada simples desequilíbrio, seja mental, emocional e/ou mesmo físico, demonstra que estamos saindo do eixo, ou seja, estamos nos afastando do que nossa natureza quer, nossa vocação, nossa missão. Nossa missão é o que realmente somos em nosso íntimo e nossa vocação é o que devemos fazer para estarmos em sintonia com nosso caminho na vida.

Buscarmos nossa missão não é inventarmos algo que nos dê alívio, mas uma descoberta conquistada através de uma busca profunda e, segundo Victor Frankl, “a tarefa de cada um de nós é única e intransferível. A nossa missão exige “realização” e nossa tarefa é tão única como é única nossa oportunidade de implementá-la”.

A descoberta pode ser feita por muitos ou por vários caminhos ao mesmo tempo: a observação de si mesmo, o autoconhecimento através da investigação analítica num divã ou consigo mesmo, da regressão de memória, da prática da escrita de seu “livro das sombras” (seu diário mágico), do estudo e da meditação, da religiosidade prática, da auto-superação diária.

Todas as possibilidades nos são dadas pela vida, basta que optemos por dar o primeiro passo e tenhamos a perseverança no nosso objetivo, na busca espiritual e no fim, que é a Luz.

por Roberto Dantas

quinta-feira, 27 de setembro de 2007

Não-ação ajuda a evitar a violência

Não-ação ajuda a evitar a violência

As duas narrativas a seguir, baseadas em fatos reais, retratam o momento em que duas pessoas, Jonas e Paulo (nomes fictícios), descobriram o poder da não- violência, ao se manterem equilibrados numa situação em que o impulso inicial era reagir agressivamente.

"O sábio atinge sua meta sem utilizar a força. Conquista sem infligir sofrimento, sem destruir, sem orgulho, sem explorar o próprio sucesso, e depois pára. Vence sem violência."
(Lao Tsé, séc. VI a.C.)

Jonas, despachante de operações de uma companhia aérea num importante aeroporto brasileiro, estava cansado, fazendo hora extra em razão do atraso de um vôo noturno. Teria que acordar cedo para ir à faculdade e o dia de trabalho havia sido estressante, com vários vôos atrasados e alguns extravios de bagagens. Era quase meia-noite e os passageiros, que deveriam ter embarcado há horas, estavam irritados.

Um dos passageiros aproximou-se e o questionou agressivamente sobre o atraso com palavras ofensivas. O primeiro impulso de Jonas foi reagir à altura respondendo também agressivamente àquele ataque. Porém, no mesmo instante, olhando para o passageiro raivoso, percebeu que qualquer resposta dura de sua parte poderia fazer com que o outro se descontrolasse, partindo até para a agressão física. Jovem e fisicamente em forma, Jonas não sentiu medo desta possibilidade, mas sabia que, num confronto físico com o passageiro, só teria a perder, mesmo se ganhasse. Então, respirou fundo, relaxou e começou a ouvi-lo.

Jonas percebeu então que algumas coisas que ele dizia eram relevantes - por exemplo, sua bagagem do vôo anterior estava extraviada e precisaria embarcar com ela no próximo vôo. Outras coisas que o passageiro dizia, porém, pareciam desabafos de sua frustração.

Sem um oponente para brigar, tendo à sua frente apenas uma pessoa calma e atenta ao que ele dizia, o passageiro foi se acalmando. Quando percebeu isto, Jonas, com tranqüilidade, orientou-o sobre como proceder em relação à bagagem extraviada e explicou a razão do atraso dos vôos. Desta maneira, a situação do passageiro foi encaminhada da melhor forma possível.

O segundo caso foi o de Paulo. Ele havia sido promovido a gerente há cerca de duas semanas e estava enfrentando agora um problema delicado. Havia solicitado para Vilma, uma competente técnica do departamento, que realizasse uma determinada tarefa. Vilma retrucou agressivamente ao seu pedido e deu a entender que não faria a tarefa. Tenso, Paulo pediu-lhe que viesse à sua sala pra conversarem sobre o assunto.

Percebeu a expressão de má vontade quando ela entrou na sala. Pediu-lhe que sentasse e perguntou o que estava acontecendo. Vilma então soltou os cachorros: disse que não faria a tarefa porque já estava com muito trabalho, que Paulo era desorganizado, que atrapalhava seu desempenho... E disse tudo isto com o dedo em riste na cara de Paulo.

O comportamento agressivo de Vilma pegou-o desprevenido. Seu primeiro impulso foi demiti-la imediatamente. Mas, como havia assumido a gerência há pouco tempo, uma decisão desta seria vista por todos, principalmente por seu chefe, como um indicador de que sua promoção havia sido um erro. Refletiu que ele mesmo, Paulo, se estivesse no lugar do seu chefe, pensaria a mesma coisa. Pensou então em suspendê-la por uns dias, mas descartou esta opção pela mesma razão. Já havia descartado também responder no mesmo tom, pois percebera que, no estado em que Vilma estava, provocaria um bate-boca irracional.

Sem saber o que fazer, Paulo resolveu não fazer nada por enquanto. Tendo tomado esta decisão, relaxou e começou a ouvi-la melhor. Percebeu então que concordava com alguns argumentos dela, embora discordasse de outros. Sobre o que concordava, começou a expressar-se dizendo: "concordo", "você tem razão sobre isto" Em relação porém às coisas que não concordava, calava-se para evitar um possível conflito.

Sem oponente para brigar, Vilma foi diminuindo seu tom agressivo, ficando cada vez mais calma, até que começou a chorar. Paulo ofereceu-lhe um lenço de papel e aguardou com simpatia até que parasse de chorar. Então, disse-lhe: "Vilma compreendo que às vezes minha forma de trabalhar tem prejudicado a eficiência do seu trabalho. Ambos estamos no mesmo barco. Como poderemos trabalhar juntos para nos ajudarmos mutuamente a sermos mais eficientes?"

Assim, a conversa tomou um rumo mais produtivo e combinaram um procedimento de trabalho mais eficiente para ambos. A partir desta reunião, o relacionamento profissional de Paulo e Vilma fluiu bem. Ambos ganharam e o departamento como um todo, também ganhou.

O que há de comum nos dois casos? Jonas e Paulo, numa situação em que estavam se sentindo atacados agressivamente, ao invés de contra-atacar, pararam, relaxaram e ouviram atentamente o oponente. Paulo foi além: mais que ouvir com atenção, expressou sua concordância com o que achava válido naquilo que a pessoa estava dizendo e com isto enfatizou o que tinham em comum, aplainando o terreno para construírem algo produtivo em conjunto.

Cada um deles, ao não entrar na arena de combate, mas esperar, mantendo-se equilibrado, desarmou o outro e o converteu em aliado. Este é o poder da não-violência.

Por Leonel Vieira

Amar duas pessoas ao mesmo tempo

Amar duas pessoas ao mesmo tempo

Há aproximadamente 30 anos um filme causou tanto impacto que foi proibido em vários países: Le Bonheur (A felicidade), da francesa Agnès Varda. Conta a história de um casal feliz, com dois filhos pequenos, que costumava passar os domingos num belo parque.

Numa viagem de trabalho a uma cidade próxima, o marido conhece uma moça, por quem logo se apaixona. Começam um intenso relacionamento amoroso, entretanto, isso em nada afeta o casamento. Ele continua amando e desejando sua esposa, com a única diferença de se sentir mais pleno, com mais alegria de viver. Acostumado que estava a compartilhar com ela todos os aspectos da sua vida, num daqueles dias no parque, enquanto as crianças brincavam distantes e eles, abraçados, descansavam na relva, ele resolve contar o que está acontecendo.

Relatando com toda a sinceridade os fatos, afirma à sua atenta ouvinte que em nada ela foi prejudicada, pelo contrário, é como se numa macieira mais uma maçã tivesse nascido. Percebe estar podendo amá-la ainda mais, já que se sente mais feliz. Como de costume, fazem sexo e dormem. Na cena seguinte ouvem-se gritos vindos do lago. Ao acordar e não ver sua mulher ao lado, corre à procura dela. Chega a tempo de ver seu corpo sendo retirado. Naquele momento, procurando reconstituir em pensamento o que poderia ter ocorrido, imagina ela se afogando e, desesperada, tentando se agarrar a troncos de árvores para se salvar. Era tão verdadeiro o seu amor, que em momento algum passa pela sua cabeça o que de fato tinha acontecido: ela não suportou saber que ele amava outra mulher e se suicidara.

Na cena final ele e sua nova esposa, a antiga amante, passeiam alegres de mãos dadas, no mesmo parque com os filhos dele. Os moralistas não se conformaram. Afinal, para eles a transgressão de amar duas pessoas ao mesmo tempo merecia algum tipo de punição. Mas nada de mal acontece com o personagem e sua ausência total de culpa pela morte da mulher foi considerada inadmissível, tendo chocado muita gente.
O que poucos perceberam é que não havia mesmo motivos para culpa. O sofrimento vivido pela mulher, e que a levou a uma atitude tão desesperada, é que foi absurdo.

O que estava ela perdendo? Absolutamente nada. Ao fazer com que todos acreditem ser impossível amar duas pessoas ao mesmo tempo, o modelo de amor imposto na nossa cultura torna inquestionável a conclusão: “se ele ama outra é porque não me ama”.
Contudo, não há dúvida de que podemos amar várias pessoas ao mesmo tempo. Não só filhos, irmãos e amigos, mas também aqueles com quem mantemos relacionamentos afetivo-sexuais. E podemos amar com a mesma intensidade, do mesmo jeito ou diferente. Acontece o tempo todo, mas ninguém gosta de admitir. A questão é que nos cobramos a rapidamente fazer uma opção, descartar uma pessoa em benefício da outra, embora essa atitude costume vir acompanhada de muitas dúvidas e conflitos.

Mas afinal, por que se tem tanto medo de amar mais de uma pessoa ao mesmo tempo? O terapeuta José Ângelo Gaiarsa afirma que “somos por tradição sagrada tão miseráveis de sentimentos amorosos que havendo um já nos sentimos mais do que milionários, e renunciamos com demasiada facilidade a qualquer outro prêmio lotérico (do amor)”. E essa mesquinharia afetiva se desenvolveu a partir da crença de que somente através da relação amorosa estável com uma única pessoa é que vamos nos sentir completos e livres da sensação de desamparo. Não é à toa que exigimos que o outro seja tudo para nós e nos esforçamos para ser tudo para ele. Mesmo à custa do empobrecimento da nossa própria vida.

Regina Navarro Lins

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