Além do horizonte, existem outros mundos a serem descobertos.
Lá, folhas não caem, elas flutuam.
Lá, o meio de transporte são pássaros que vem até você e com o suspiro de seu amor, neste mundo todos andam de mãos dadas lá é aonde a harmonia toma conta da natureza de todas as espécies viventes.
Lá, não colhemos flores, mas as flores colhem a gente.
Chegou o tempo de despertar e acreditar que esta vida vale apena ser vivida.
-Rhenan Carvalho-

sábado, 21 de julho de 2007

Vende-se “Manual de Conduta no Amor”!


Vende-se “Manual de Conduta no Amor”!
Rosana Braga

Você compraria? Acha mesmo que é possível alguém criar um manual onde estejam relacionados os comportamentos ideais para se ter numa relação?
Sei que todos nós gostaríamos de obter respostas e um conhecimento ao menos básico para saber como agir em alguns momentos tão delicados de nossas vidas, mas existe uma enorme diferença entre buscar sabedoria (tanto a interior quanto aquela que podemos adquirir com outras pessoas) e acreditar que existe um manual pronto.
Não existe, felizmente. Cada um de nós tem as condições necessárias para fazermos nossas próprias escolhas. Precisamos apenas nos empenhar para conhecermos nossas ferramentas e aprender a usá-las cada vez mais corretamente e coerentemente.
No entanto, ainda tem muita gente agarrada a crenças limitantes, a verdades parciais e a conceitos medíocres. Eu mesma me pego, algumas vezes, presa a idéias extremamente cerceadoras. E me dei conta disso, inspirando-me inclusive para este artigo, quando fiz uma afirmação durante minha sessão de terapia, convicta de que estava enxergando a situação de forma muito clara e, de repente, minha terapeuta retrucou: “Rosana, onde é que está escrito isso? Quem disse que tem de ser assim e de que esta é a única possibilidade?!?”
É isso: quem disse? Onde está escrito? E mesmo que alguém tenha dito ou que esteja escrito em algum lugar, será mesmo que só existe um caminho, uma resposta, um modo de interpretar o que foi dito ou escrito? Certamente não!
Somos uma infinidade riquíssima de caminhos, respostas e interpretações e é isso que nos possibilita a evolução, em todos os sentidos!
Por isso, no momento em que você achar que só existe um jeito de sentir, fazer ou viver, pare e se pergunte: quem disse que só pode ser desta maneira?!? E tente encontrar um comportamento mais seu, mais harmonioso com o que você realmente acredita e quer para a sua vida.
Foi traído? Quem disse que não há perdão?!? Ou onde está escrito que você é obrigado a aceitar e continuar como se nada tivesse acontecido?!? O outro não ligou? Quem disse que você não pode ligar? Ou onde está escrito que é sempre ele quem deve tomar a iniciativa?!? A relação acabou? Quem disse que você não pode tentar reconquistar a pessoa amada?!? Ou onde está escrito que você não pode sofrer por alguém que não quer mais ficar com você?
Gente, não existe Manual de Conduta no Amor. Sendo assim, trate de refletir, buscar suas próprias respostas, entrar em contato com seu coração e parar de engolir regras, aceitar paradigmas, imitar comportamentos que não são seus.
Assuma-se e veja no que dá.
Pode ser que dê errado, mas pode ser que dê certo. Se der certo, ótimo; e se der errado, aprenda, cresça, tente de outro jeito, lembre-se de que os erros fazem parte absoluta do acerto final. Não existe sucesso, conquista ou mérito sem que tenha havido enganos, equívocos, quedas e fracassos.
Parece-me que a maior angústia dos tempos atuais é essa idéia absurda de que temos de fazer tudo certo, acertar sempre, saber a resposta para todos os problemas e estar sempre bem, feliz, sorrindo. É uma cobrança insana, improdutiva, que só nos traz ansiedade, conflitos e uma necessidade imensa de criar uma máscara de super-herói.
Precisamos urgentemente de aceitar mais nossa humanidade, imperfeição e condição de aprendizes. Precisamos não transformar as derrotas e perdas em condenações e culpas que se arrastam indefinidamente.
Consciência e responsabilidade, sim! Mas condutas engessadas, que não condizem com nossos sentimentos, nunca! Prejudicarmos os outros ou passar por cima dos sentimentos alheios para satisfazer os nossos, jamais! Mas permitirmo-nos mais e demonstrarmos mais nossas fragilidades, sempre que assim nos sentirmos!
Porque toda vez que a gente se coloca numa relação ou diante de alguém com o coração aberto e transparente, algo se transforma no mundo... e para muito melhor, com toda a certeza!

Aprenda a exercitar a tolerância


Aprenda a exercitar a tolerância
por Patricia Gebrim

Tolerância. Ah... como é difícil colocar em prática a essência dessa palavra.
Por que é tão difícil tolerar que alguém entre na frente de nosso carro no trânsito? Por que é tão difícil tolerar quando alguém comete um engano?
Tolerar as características de quem convive conosco. Tolerar um atraso. Um esquecimento. Um erro. Tolerar as diferenças. Tolerar as frustrações.
Tolerar as falhas humanas. Tolerar a nós mesmos.
Pense nisso por um instante. Pense na sua intolerância. Se não souber do que estou falando, preste atenção naquelas vezes em que uma mínima ação do outro despertou um monstro assassino em você. Algo tem que estar errado nisso!
Será que a ação do outro era assim tão grave?
Muitos de nós parecemos bombas-relógio prestes a explodir. Por onde andamos somos perseguidos por um tique-taque infernal, o que me faz lembrar do Capitão Gancho. Só que, diferente daquele homem barbudo, "horrível e mau", nos identificamos com os "mocinhos". (Você já pensou que talvez o Capitão Gancho também achasse que Peter Pan fosse o vilão da estória?).
Vou lhe dizer uma coisa. Dói muito quando percebemos que carregamos um vilão dentro de nós. Dói perceber que agredimos e ferimos aos outros porque somos ignorantes ao nosso próprio respeito. Dói perceber que temos uma dificuldade enorme em olhar para o espelho e ver o reflexo do monstro adormecido dentro de nós.
Mas enquanto não formos corajosos o suficiente para fazer isso, continuaremos por aí agindo como granadas humanas. Basta que alguém distraído puxe o tal pininho e... bummmmmm... explodimos! E justificamos a explosão com uma elaborada rede de argumentos racionalmente plausíveis. A nossa mente pode justificar qualquer coisa, até mesmo uma explosão. E, na distorcida lógica da mente, a culpa é sempre do outro.
Para que você seja capaz de ter tolerância, é preciso ir além da mente. É preciso que você recupere o acesso ao seu coração. Anda faltando amor em nossas vidas.
Eu convido você a exercitar essa palavra em sua vida.
- Tolerar quando alguém intolerante "esquece a mão na buzina", porque você se distraiu e perdeu o tempo do semáforo.
- Tolerar quando perceber que alguém que você ama está irritado.
- Tolerar seu próprio mau humor e se lembrar que todos acordam mau humorados de vez em quando.
Não quero propor nesse artigo que você tolere abusos ou atos agressivos contra você ou alguém. É claro que muitas coisas não devem ser toleradas e eu conto aqui com o seu bom senso.
Mas o que eu penso é que, de verdade, andamos intolerantes demais! Basta uma atitude do outro ("interpretada" por nós como provocativa) e já nos perdemos de nós mesmos e entramos naquela mesma sintonia destrituva. É disso que estou falando. Da nossa incapacidade de nos mantermos em uma sintonia de paz. Da nossa incapacidade de compreender que algumas coisas não nos pertencem.
Ouça: A irritação do outro não lhe pertence! A agressividade do outro não lhe pertence.
Por que nos conectarmos com o que não é nosso? Deixe com o outro o que é do outro. Você não precisa entrar na mesma sintonia. Isso tem a ver com tolerância.
Ao praticar a tolerância, talvez você comece a semear paz ao seu redor.
Talvez isso comece como um pequeno jardim, pequenas flores brancas surgindo aqui e ali... mas não despreze seu potencial transformador. Perceba que todos nós somos como prismas multifacetados. Ao praticar a tolerância você estará emitindo inúmeros reflexos dessa qualidade ao seu redor e então, quase magicamente, talvez você comece a perceber que as pessoas à sua volta começam a se tornar tolerantes também. E assim se cria um espaço no qual se estabelecem relações mais respeitosas e harmoniosas.
Acredite. Você precisa muito de paz. Meu convite: exercite a tolerância. Nem que seja só por uma hora... Depois vá expandindo. Um dia... uma semana.
Observe as transformações que esse simples exercício pode efetuar em sua vida!

IMORTALIDADE D’ALMA…



IMORTALIDADE D’ALMA…
Uberto Rhodes

CONHECE-TE A TI PRÓPRIO E SERÁS IMORTAL ...

“Alguns séculos antes de Cristo, vivia em Atenas, o grande filósofo Sócrates.
A sua filosofia não era uma teoria especulativa, mas a própria vida que ele vivia.
Aos setenta e tantos anos foi Sócrates condenado à morte, embora inocente.
Enquanto aguardava no cárcere o dia da execução, seus amigos e discípulos moviam céus e terra para o preservar da morte.

O filósofo, porém não moveu um dedo para esse fim; com perfeita tranqüilidade e paz de espírito aguardou o dia em que ia beber o veneno mortífero.
Na véspera da execução, conseguiram seus amigos subornar o carcereiro (desde daquela época já existia essa prática...), que abriu a porta da prisão.

Críton, o mais ardente dos discípulos de Sócrates, entrou na cadeia e disse ao mestre:
- Foge depressa, Sócrates!
- Fugir, por que? - perguntou o preso.
- Ora, não sabes que amanhã te vão matar?
- Matar-me? A mim? Ninguém me pode matar!
- Sim, amanhã terás de beber a taça de cicuta mortal - insistiu Críton.
- Vamos, mestre, foge depressa para escapares à morte!
- Meu caro amigo Críton - respondeu o condenado - que mau filósofo és tu! Pensar que um pouco de veneno possa dar cabo de mim ...

Depois puxando com os dedos a pele da mão, Sócrates perguntou:
- Críton, achas que isto aqui é Sócrates?
E, batendo com o punho no osso do crânio, acrescentou:
- Achas que isto aqui é Sócrates? ... Pois é isto que eles vão matar, este invólucro material; mas não a mim. EU SOU A MINHA ALMA. Ninguém pode matar Sócrates! ...
E ficou sentado na cadeia aberta, enquanto Críton se retirava, chorando, sem compreender o que ele considerava teimosia ou estranho idealismo do mestre.
No dia seguinte, quando o sentenciado já bebera o veneno mortal e seu corpo ia perdendo aos poucos a sensibilidade, Críton perguntou-lhe, entre soluços:

- Sócrates, onde queres que te enterremos?
Ao que o filósofo, semiconsciente, murmurou:

- Já te disse, amigo, ninguém pode enterrar Sócrates ... Quanto a esse invólucro, enterrai-o onde quiserdes. Não sou eu... EU SOU MINHA ALMA...
E assim expirou esse homem, que tinha descoberto o segredo da FELICIDADE, que nem a morte lhe pôde roubar.

"CONHECIA-SE A SI MESMO, O SEU VERDADEIRO EU DIVINO. ETERNO. IMORTAL..."
Assim somos todos nós seres IMORTAIS, pois somos:
ALMA,
LUZ,
DIVINOS,
ETERNOS...

Nós só morremos, quando somos simplesmente ESQUECIDOS...


DO "EU" EGOÍSTA A AUSÊNCIA DO "EGO" O QUE É "ZEN"?

Gostaria de começar dizendo que ZEN não é o mesmo que conhecimento, apesar do conhecimento não estar completamente desvinculado do ZEN. O ZEN não é exatamente religião, ainda que as realizações da religião possam ser alcançadas através do ZEN. O ZEN não é filosofia, ainda que a filosofia, em nenhum sentido, possa exceder o âmbito do ZEN. O ZEN não é ciência, ainda que o espírito de ênfase da realidade e da experiência seja também necessário ao ZEN. Portanto, rogo que não tentem explorar a essência do ZEN motivados apenas por mera curiosidade, visto que o ZEN não é algo novo trazido para cá pelos Orientais; o ZEN está presente em todo lugar, no espaço ilimitado e no tempo infinito. Contudo, antes do Budismo Oriental ser divulgado no mundo Ocidental, as pessoas do Ocidente ignoravam a existência do ZEN. O ZEN ensinado pelos Orientais no Ocidente, não é, de fato, o verdadeiro ZEN. É somente o método para compreendê-lo. O ZEN foi, inicialmente, descoberto por um príncipe de nome Siddharta Gautama (chamado de Sakyamuni após sua Iluminação) que nasceu na Índia há 2500 anos. Após ter alcançado a Iluminação e ser chamado Buddha, ensinou-nos o método para conhecer o ZEN. Este método foi transmitido da Índia para a China e, posteriormente, para o Japão. Na Índia o método era chamado "DHYANA", cuja pronúncia em chinês é "CH'AN" e em japonês é "ZEN". Na verdade são todos idênticos.
O ZEN tem existência eterna e universal. Não há necessidade de qualquer professor para transmiti-lo; o que é ensinado por professores é somente o método pelo qual um indivíduo pode pela própria experiência conhecer o ZEN.
Equivocadamente, algumas pessoas entendem o ZEN como tipo de experiência misteriosa; outras pensam ser possível adquirir poderes sobrenaturais através da experiência ZEN. Naturalmente, o método para a prática da Meditação ZEN pode causar vários tipos de fenômenos estranhos no que concerne à sensação mental e física; e também, através da prática da unificação do corpo e da mente, o indivíduo pode ficar capacitado a alcançar o poder mental para controlar ou alterar fatores externos. Porém, tais fenômenos, vistos como mistérios da religião, não são o objetivo da prática do ZEN, porque podem somente satisfazer a curiosidade ou a megalomania do indivíduo e não solucionar os problemas existentes nas vidas das pessoas.
O ZEN inicia a partir da raiz do problema. Ele não começa com a idéia de conquistar os ambientes social e material externos, mas sim de alcançar total conhecimento do "EGO" do indivíduo. A partir do momento em que você sabe o que é o seu "EGO", e este "EGO" que você agora considera como sendo você mesmo irá, simultaneamente, desaparecer. Chamamos a este novo conhecimento da noção do "EGO", de "Iluminação" ou de "compreensão de sua própria natureza básica". Este é o início para ajudá-lo a resolver completamente os verdadeiros problemas. Finalmente, você descobrirá que você, indivíduo, aliado à totalidade da existência, é único e indivisível.
Devido a você próprio ter imperfeições sente, consequentemente, que o ambiente é imperfeito. É como um espelho com superfície irregular - as imagens nele refletidas são também distorcidas. Ou, como a superfície da água agitada por ondulações - a imagem da lua nela refletida é; irregular e instável. Se a superfície do espelho é clara e polida, ou se o ar sobre a superfície da água está quieto e as ondas calmas, então, o reflexo no espelho e a imagem da lua sobre a água serão claros e precisos. Por essa razão, sob a ótica ZEN, a principal causa da dor e do infortúnio da humanidade não é o ambiente traiçoeiro do mundo no qual vivemos, nem a terrível sociedade da espécie humana, mas o fato de nunca termos sido capazes de reconhecer nossa natureza básica. Assim, o método ZEN não nos conduz a fugir da realidade nem a fechar nossos olhos como faz o avestruz australiano quando da chegada dos inimigos e nem a enterrar nossa cabeça na areia julgando que todos os problemas serão resolvidos. O ZEN não é um idealismo auto-hipnotizante.
Através da prática do ZEN, o indivíduo pode eliminar o "EGO", e não somente o "EU" egoísta e mesquinho, mas também o "EU" generoso, que em filosofia é chamado de Verdadeiro ou Essência. Só então existe liberdade absoluta. Assim, um perfeito praticante do ZEN jamais sente que qualquer responsabilidade é um fardo, nem sente as pressões que as condições de vida exercem sobre as pessoas. Ele sente somente que está incessantemente trazendo a vitalidade da vida com força total. Esta é a expressão da liberdade absoluta. Portanto, a vida ZEN, é inevitavelmente normal e positiva, feliz e generosa. A razão para isso é que a prática do ZEN irá continuamente suprir você com os meios para escavar sua preciosa mina de Sabedoria. Quanto mais profunda for esta escavação, maior será a Sabedoria alcançada, até que, eventualmente, você obtenha toda a Sabedoria o universo. Neste momento, não haverá uma única coisa em todo tempo e espaço que não esteja contida dentro do âmbito de sua sabedoria. Neste estágio a sabedoria torna-se absoluta e, uma vez que é absoluta, o termo "sabedoria" não terá mais propósito. Pode ter certeza de que aquele estágio em que o "EGO" o motivava a perseguir coisas tais como fama, riqueza e poder, ou a fugir do sofrimento e do perigo, desapareceu completamente. Além disso, mesmo a sabedoria que eliminou seu "EGO" torna-se um conceito desnecessário para você. Evidentemente do ponto de vista de uma súbita Iluminação, é muito fácil para um praticante ZEN alcançar este estágio; contudo, antes de alcançar a passagem para a súbita Iluminação, o indivíduo deve despender um grande esforço nesta jornada. Caso contrário, os métodos ZEN seriam inúteis.
Ven. Dr. Sheng-Yen

Amor e Compaixão


AMOR E COMPAIXÃO

Ao aprofundar nossa compreensão da existência, abrimos a porta que leva à compaixão. O desenvolvimento de uma consciência da dor e da ignorância que nós, bem como os outros, vivemos, estimula simpatia e, depois empatia. Esse crescente interesse pelos outros inspira um sentimento de amor - um amor que perde suas ligações com os nossos conceitos e sentidos, um amor que é sem sujeito nem objeto.
A compaixão é a capacidade de sentir plenamente a situação de uma outra pessoa. Relacionamentos familiares próximos ajudam a desenvolver essa capacidade, mas hoje em dia, o senso de união da família não é forte. Sem o apoio da família tendemos a nos retrair para dentro de nós mesmos. Já que achamos tão difícil nos relacionar com os outros, mesmo com nossos amigos, dedicamos nossos esforços para proteger a nós e aos nossos bens materiais. Nosso interesse raramente vai além de nós mesmos, além das nossas necessidades e desejos pessoais. O cuidado para com os outros e a sensibilidade em responder a eles, ambos fundamentais à compaixão, têm pouca chance de se desenvolver.
Um modo de aprender compaixão é cultivar o desejo de ajudar os outros. Este simples gesto abre, automaticamente, o coração. Nós alargamos nossas perspectivas e aumentamos nossa sensibilidade às necessidades dos outros, e isso, então, nos leva a desenvolver a capacidade de, efetivamente, servir de ajuda. Por fim, podemos aprender a amar sem qualquer motivo ulterior ou qualquer sentido de ego. Esse sentimento de amor altruísta estimula uma abertura que permite à compaixão surgir naturalmente. Podemos, então, agir com habilidade e compaixão em todas as circunstâncias.
Como aprendemos a pôr de lado o fato de sermos centrados em nós mesmos?
Quanto mais aberto você se deixar ser, mais você será capaz de se comunicar com seus amigos, com sua família, com qualquer pessoa. Abertura, num sentido último, significa compaixão. Em vez de reprimir ou tentar evitar seus sentimentos, abra tanto quanto puder seu coração, seus sentimentos toda a sua personalidade. Abra-se para seus níveis mais fundos de sentimentos. Você pode fazer isto por meio do relaxamento, que é a chave da meditação.
Fique muito quieto, respire muito delicada e suavemente, e mantenha sua mente na presença da atenção pura. Uma vez que o relaxamento tenha se estabelecido deste modo, você irá curar seus sentimentos interiores. Então, um calor interior virá. Com este calor e este relaxamento interiores, você sentirá mais abertura e, com essa abertura, mais comunicação. Visto que o calor interior se transmuta em sabedoria, você será capaz de ver as situações das outras pessoas mais claramente, e, com essa clareza, poderá também aprender mais sobre você mesmo. Você poderá abrir-se para sua natureza interior.
Quando seu coração se abre verdadeiramente, você pode se comunicar com todos os seres, com toda a existência. Pode ver a natureza do samsara. A abertura é a chave da compaixão, de modo que, quando você conseguir desenvolver uma abertura maior, o ego e a tendência a agarrar as coisas para si perdem sua força. Quando estiver assim menos autocentrado, poderá ver que cada indivíduo tem que passar por este ciclo do samsara. Você aprende a ter mais aceitação, e a compaixão cresce em profundidade e se torna mais abrangente.
A compaixão autêntica está além dos pensamentos, além do "ego", livre de qualquer crença de que há um "eu" presente no ato da compaixão. A verdadeira compaixão, portanto, gera um sentido profundo de aceitação, e mesmo de perdão, com relação àqueles que nos causaram dor ou infelicidade. Quando somos sensíveis às fraquezas e egoísmos dos outros, percebemos que o mal que fazem é feito simplesmente por ignorância.
Pergunta: Como posso desenvolver um coração mais compassivo?
Resposta: Trabalhe com alegria junto com as outras pessoas e coloque tanta energia em seu coração quanto puder, Seja natural e jovial. Aprenda a aceitar os outros mesmo com suas falhas. Embora o mais alto sentimento positivo seja chamado de amor, até mesmo o amor é limitado pela relação sujeito-objeto: tentamos fazer com que aqueles que nos são próximos se enquadrem dentro do que sentimos que devam ser. Eles podem ser nossos amigos, nossos namorados, nossos filhos, ou mesmo Deus ou Buda. A compaixão aceita os outros como eles são. A pessoa que compreende a compaixão por inteiro não vê mais qualquer separação entre "eu " e "outros". A compaixão é a resposta saudável e espontânea a todas as situações.
P: Parece importante ajudar o próximo por compaixão. No entanto, muitas vezes não sei o que fazer; sinto-me ignorante e impotente na maioria das situações.
R: A melhor maneira de mostrar compaixão é por meio do desejo de ajudar. Quando você não puder fazer nada numa situação, simplesmente deseje com sinceridade poder ajudar. Embora esses sejam apenas pensamentos, ter bons pensamentos é algo que tem valor. Você pode também se dar conta de que o motivo pelo qual não consegue ajudar é porque lhe faltam sabedoria e força espiritual. Mas o desejo irá encorajá-lo e fortalecerá a sua prática. Quanto mais você desenvolver a sua prática, mais força terá para ajudar os outros.
O desejo consiste não apenas em palavras, mas em um sentimento profundo que vem do fundo do seu coração. Quando você tiver cultivado esse sentimento com vigor, então a disposição virá, e, depois a abertura. A esta altura, você consegue agir de modo eficaz. É assim que a compaixão começa. Você vê os problemas dos outros, sente sua dor, sua mágoa seu sofrimento. Seu desejo de ajudar se torna mais forte, conforme você se abre mais e sente com maior profundidade.
P: Às vezes, parece muito egoísta dizer: "Não posso fazer nada".
R: Não quando você, de fato, quer ajudar com todas as suas forças, mas sabe que, na realidade, simplesmente não há nada que possa fazer.
Para ajudar os outros, você precisa ter, ao mesmo tempo, sabedoria e força, o que significa compaixão. Quando uma destas qualidades ou ambas estão faltando, é difícil ser bem-sucedido. Apesar de você ter boas intenções, a falta de força significa falta de eficácia. É melhor desenvolver sua atenção plena, sua força, sua capacidade de agir. Primeiro, você precisa adquirir sensibilidade para ver o que uma situação contém dentro de si; então, poderá lidar com ela de modo apropriado. Sem preparação, é difícil levar a cabo boas idéias.
P: Sabedoria e meditação soam muito semelhantes para mim. Qual é exatamente a ligação entre elas?
R: A sabedoria e a meditação se tornam muito semelhantes. Meditação é atenção pura; e, quando esta atenção se desenvolve, ela se transforma em sabedoria. Quando entendemos o sofrimento dos outros, podemos cultivar o desejo de ajudar; depois, a disponibilidade para ajudar; então, nosso coração se abre. A sabedoria nos permite ver o que pode ser feito e nos dá a capacidade de aliviar o sofrimento dos outros.
A Expansão da Mente - Tarthang Tulku - Edit. Cultrix

Liberte-se da culpa



Liberte-se da culpa

A culpa pode ser definida como a responsabilidade que sentimos quando praticamos algo que, de forma negligente ou imprudente, possa ter causado dano ou ofensa a alguém.

Para buscarmos a libertação da culpa é fundamental entender porque estamos sujeitos ao erro e, se o cometemos, por que sentimos a culpa a atormentar nossas mentes.

Deus, soberanamente bom e justo, desde toda a eternidade, estabeleceu leis que regem tanto o mundo material quanto o mundo moral. As leis morais necessárias para o Espírito estão gravadas na nossa consciência.

“Assim como o espelho reflete o nosso exterior, a consciência reflete o nosso interior. Vemos através dela a imagem perfeita de nossa alma, como no espelho a imagem real do nosso rosto.”

A consciência tem a função de refletir com justiça, pondo diante de nosso próprio critério o aspecto exato de nossa moral e a forma interna do nosso ser.
A consciência é o árbitro interno, que se encarrega de estabelecer as diretrizes de segurança para a vida.

À medida que evoluímos, ela se torna mais desperta e mais lúcida, dando-nos uma compreensão mais ampla do porquê da vida, tal como um nevoeiro que quando vai se dissipando, nos permite ver o horizonte com maior amplitude.
Sempre que agimos em desacordo com as Leis de Deus, ela se manifesta, direcionando nossa atenção para o sucedido, objetivando o arrependimento e a reparação.

Como Espíritos imortais, fomos criados simples e ignorantes, visando, através das sucessivas encarnações, a perfeição. Ao longo dessa caminhada evolutiva vamos fazendo escolhas. Nessas escolhas cometemos erros, quer por ignorância ou fraqueza moral, pois enquanto ignorantes, agimos mais ou menos arrastados por impulsos primários, encontrando no erro a oportunidade de aquisição de conhecimento, de experiência, de discernimento, e de lucidez.

No entanto, quem erra tende a tornar-se escravo do gravame praticado, talvez influenciado pela educação religiosa que nos ensinou a sermos excessivamente rigorosos conosco.
Enquanto a consciência for excessivamente severa no julgamento, fará um esforço no sentido de exigir severas reparações em relação ao erro praticado.

A culpa somente tem sentido até o momento em que tivermos a consciência do erro. A partir daí ela passa a ser nociva ao melhoramento, pois ela não faz ninguém se sentir melhor, nem serve para modificar uma situação.
Do contrário, a culpa nos mantém conectados ao erro.

A culpa constrange, inferioriza, deprime.
Não adianta nada remoer o passado, cultivar o remorso e o ressentimento. Quando compreendemos o real sentido da vida, passamos a entender que errar faz parte do aprendizado.
Não importa o tamanho do erro, sempre queremos o melhor. Nada poderia ter sido diferente do que foi, porque era a maneira que sabíamos ver na época.
Sempre fazemos o que pensamos ser o melhor dentro do nosso nível de entendimento. E mais: o erro faz parte da aprendizagem e costuma ensinar muito mais do que o acerto.

As dificuldades, os problemas, os enganos e até as ilusões são formas de treinamento para que alcancemos a maturidade. Por isso, a culpa deve ser eliminada da nossa mente, pois, além da dor e da tristeza íntima, poderá, a longo prazo, desencadear enfermidades no corpo físico.
Inclusive, algumas pesquisas comprovam que sentimentos como o ressentimento e a culpa são encontrados na maioria dos casos de câncer.

Estamos sujeitos à lei de causa e efeito e seremos responsabilizados pelas faltas que cometemos. Em vez de nos submetermos à escravidão que a culpa pode causar, devemos pelo trabalho e através da reforma íntima, buscar reparar os equívocos, fazendo o bem em compensação ao mal que praticamos, tornando-nos humildes, se tivermos sido orgulhosos, amáveis, se tivermos sido severos, caridosos, se tivermos sido egoístas, úteis, se tivermos sido inúteis, benignos se tivermos sido perversos.

Nas Minhas mãos...



Nas Minhas mãos...

Tenho nas mãos dois caminhos
duas decisões, mesmo quando tudo parece desabar,
cabe a mim decidir, entre rir ou chorar,
entre ir ou ficar, entre desistir e o lutar.
Se o mar está revolto, posso ficar na praia,
ou sair para pescar e talvez, nunca mais voltar.

Tenho nas minhas mãos o bem e o mal,
e entre eles poucos pensamentos,
um diz para fazer sem culpa,
o outro pensa, reflete e pede para esperar.
Enquanto o mundo se perde em erros,
posso me manter sereno, sem medo,
porque tenho a chave da minha vida,
nas minhas mãos.

Então, hoje me sinto mais forte,
atravessei os desertos da alma.
amei quem não me amou,
e deixei de lado quem muito me amava,
coisas de afinidade,
sentimentos vagos da alma,
e atravessei caminhos nem sempre floridos,
que deixaram marcas profundas em mim,
mas amei e fui amado...

Por isso, tenho nas mãos bem mais que a vida,
tenho a duvida e a certeza,
a esperança e o medo, o desejo e a apatia,
o trabalho e a preguiça,
e me dou o direito de errar sem me cobrar,
e acertar sem me gabar,

Porque descobri no caminho incerto da vida,
que o mais importante é o decidir,
e decidi de uma vez por todas,
ser simplesmente feliz,
e esse caminho não tem volta...

Paulo Roberto Gaefke

sexta-feira, 20 de julho de 2007

AMIGOS


AMIGOS

De quando a quando, aqui e além, por vezes, aparece determinado obreiro do bem que se acredita capaz de agir sozinho, no entanto, a breve tempo, reconhece a própria ilusão.
O Criador articulou a vida de tal modo, que ninguém algo constrói sem a cooperação de alguém.
Na Terra, há quem diga que amigo é alguém que nos procura unicamente nas horas de alegria e prosperidade, de vez que comumente se afasta quando o frio da adversidade aparece.
Temos nisso, porém, outra inverdade, porquanto o amigo, ainda mesmo cercado de obstáculos, compreende os companheiros que se distanciam dele, transitoriamente, entendendo que circunstâncias imperiosas os compelem a isso.
Na condição de espíritos ainda imperfeitos, é certo que, em muitas ocasiões, não nos achamos afinados uns com os outros, especialmente, no Plano Físico, nos momentos em que as nossas queixas recíprocas revelam-nos os pontos deficientes.
E se soubermos reconhecer que todos temos provas a superar e imperfeições a extinguir, não experimentaremos dificuldades maiores para exercer a solidariedade e praticar a tolerância, melhorando o nosso padrão de serviço e comportamento.
Se instalados na compreensão mais ampla, observamos que a amizade apenas sobrevive no clima da caridade que se define por prática do amor, de uns para com os outros.
Na posição de amigos, entendemos espontaneamente os nossos companheiros, oferecendo-lhes o apoio fraterno que se nos faça possível, mesmo quando estejamos separados, porquanto estaremos convencidos de que possivelmente, surgirá o dia em que necessitaremos que eles nos amparem com o mesmo auxílio.
Aprendamos a valorizar os nossos colaboradores para que não nos falte o concurso deles no momento certo.
Amigos são alavancas de sustentação.
Saibamos adquirir cooperadores e conservá-los, lembrando-nos de que o próprio Jesus escolheu doze irmãos de ideal para basear a campanha do Cristianismo no mundo.
Foi ele mesmo, o Mestre e Senhor, que, certa feita, lhes falou de modo convincente: -“Em verdade, não sois meus servos, porque vos tenho a todos por amigos do coração”.

Espírito: EMMANUEL Médium: Francisco Cândido Xavier Livro:"Convivência"
imagem:Mecenas Salles

DESAPEGO

Um dos maiores obstáculos à nossa evolução tem sido, sem dúvida alguma, o apego às coisas materiais. Se queremos a perfeição, temos que nos desvencilhar de toda carga externa, de todas as posses, pois “todo aquele que, dentre vós não renunciar a tudo quanto tem não pode ser meu discípulo” (Lc 14:33).

Sabemos que na fase evolutiva que nos encontramos é difícil desapegarmos totalmente de todas as coisas da terra. Entretanto, é bom que nos conscientizemos o mais rápido possível que temos que aos poucos ir nos desvencilhando de todas as posses sejam elas grandes ou pequenas.

É lógico que Jesus ao dizer: “desfazei-vos de todos os vossos bens e segui-me” (Mt 19:21), não pretendia estabelecer como princípio absoluto que cada um devesse despojar-se daquilo que possui e que a salvação só tem esse preço, mas mostrar que o apego aos bens terrenos é um obstáculo à salvação. A conseqüência dessas palavras proferidas por Jesus e tomadas em sua acepção rigorosa seria a abolição da fortuna por ser nociva à felicidade futura, e até mesmo a condenação do trabalho que leva a ela.

Essas palavras tomadas, portanto, ao pé da letra, teriam uma acepção absurda que conduziriam o homem à vida selvagem e que por isso mesmo estariam em contradição com a lei do progresso, que é lei divina.

O desapego proposto por Jesus é possuir sem ser possuído. Podemos e devemos trabalhar muito, procurando sempre a melhoria econômica, na certeza, no entanto, de que nosso verdadeiro tesouro será o que advém de nossos atos e ações.

Podemos possuir muitos bens e não sermos possuídos por eles e ainda podemos, com o que nos sobrar, ajudar o progresso do país e às pessoas que nos cercam.
Se estamos sinceramente imbuídos com o progresso e com nosso crescimento interno, é bom que desde já desvencilhamos de todos os bens externos que vão nos atrapalhar na viagem que breve haveremos de fazer ao mundo espiritual.

O excesso do querer vem desequilibrando muita gente que não entende que a verdadeira felicidade não está em decorrência da maior ou menor quantidade de bens materiais que acumulamos.

O homem não deve possuir de seu, senão o que puder levar deste mundo.
O que encontra ao chegar e o que deixa ao partir, goza de sua permanência na terra; mas, uma vez que é forçado a abandoná-lo dele não tem senão o gozo e não a posse real.
Portanto, a felicidade não consiste em possuir ou não possuir bem externos, mas sim na atitude interna de não ser por eles, possuído.

Autor/Fonte:Sérgio de Souza Cavalcanti - Livro Sândalo

quinta-feira, 19 de julho de 2007

Muita aparência pra bem pouca consistência!


Muita aparência pra bem pouca consistência!
Rosana Braga

Praticamente impossível não surgir ao menos um assunto incluindo o tema “relacionamentos” numa rodinha de bate-papo, seja entre homens, mulheres ou os dois juntos.
É de praxe falar sobre um casal conhecido, a própria relação ou sobre causos ouvidos. Ou seja, a grande maioria das pessoas sempre tem uma opinião, uma história ou uma experiência vivida que inclui afeto, amor, paixão e todos os sentimentos conseqüentes.
Acontece que, cada vez mais, tenho tido a impressão de que o que se fala não é exatamente o que se sente. Ou melhor, a maneira com que se tem falado das situações que envolvem o coração é bem destoante do modo com que se tem vivido os sentimentos.
A meu ver, temos maquiado nossas palavras e colocações a fim de mostrá-las seguras, cheias de certezas, tão certas a ponto de tornarem-se inflexíveis, ao menos aparentemente. Parece-me que estamos convencidos de que precisamos provar que temos uma autoconfiança e uma auto-estima imbatíveis, indestrutíveis, sobre-humanas talvez...
Mas estou certa de que a realidade não é bem essa! Na solidão de cada quarto, no consolo de um ombro amigo, nas confissões feitas nos divãs e até na busca esperançosa nos templos, igrejas e orações, fica evidente que há bem pouca consistência nesta aparente perfeição.
Mais do que isso, a fragilidade e os intermináveis questionamentos que rondam tantos corações estão gritando em cada relação vivida e até mesmo naquelas não-vividas. A carência, o medo de sofrer, dúvidas sobre o que fazer e como agir revelam o quanto o ego de tanta gente está bem maior do que sua consciência.
Por quê? É... também me faço esta pergunta e não a encontro em absoluto, pois felizmente não sou dona da verdade, mas suponho que elas têm tentado – a todo custo – tão somente se defender. Entretanto, de tão defendidas, de tão cheias de couraças, escudos e máscaras, terminam subjugando sua essência e, portanto, se distanciando daquilo que realmente sentem.
Creio que a autopercepção seja um bom primeiro passo. Observarmos aquilo que estamos dizendo, pensando ou fazendo é uma maneira eficiente de constatarmos o quanto nossas palavras têm estado desafinadas com o que carregamos no peito.
Frases carregadas de prepotência, do tipo “eu sou assim e pronto”, “se quiser, ele (ou ela) que mude de idéia”, “ninguém vai mandar em mim”, entre outras, só servem para encorpar um orgulho que não nos preenche e nem nos satisfaz.
Que a partir de agora, possamos admitir mais: “não sei”, “talvez eu tenha mesmo que mudar de idéia”, “quem sabe eu esteja enganado?”, “estou confuso, com medo, precisando de ajuda”...
E que assim, bem mais consistentemente humanos, possamos nos encontrar num abraço maior que nossos próprios braços, que nos acolha não porque parecemos sempre certos, mas porque somos sempre ‘gente’... e gente precisa de afeto!

Sente pena de si?


Sente pena de si? Saiba por que isto é perigoso
Luiz Alberto Py

Quase todos nós caímos, por vezes, na armadilha da auto-piedade. Mas algumas pessoas não conseguem se libertar dela. Aqueles que ficam com pena de si mesmos são facilmente reconhecíveis. Contam, com riqueza de detalhes, episódios tristes e dolorosos de suas vidas, guardados como se fossem recordações dignas de um álbum. O que dá pena não são as situações sofridas - porque sofrimentos todos nós vivemos - mas a dificuldade que estas pessoas apresentam em superar os traumas ocorridos e deixá-los no passado. É lamentável que eles se disponham a viver colecionando dores, sofrimentos e -- principalmente -- rancores e amarguras. Estas lembranças só servem para aumentar o peso da existência.

O maior perigo destas atitudes reside no fato de que toda a vida da pessoa fica contaminada pelos acontecimentos antigos e tudo de novo que acontece é avaliado como se fosse uma repetição do passado. As pessoas que foram traídas passam a esperar de cada pessoa que delas se aproxima uma nova traição. Aqueles que foram agredidos vêem uma agressão em cada nova situação de vida, e assim por diante.
Além disto, quando cultivamos a atitude de ter pena de nós mesmos, estamos nos colocando voluntariamente em uma situação de fragilidade e inferioridade. Seria muito melhor fazer um esforço para virar a página e deixar o passado se desfazer na poeira do tempo.

É preferível tentarmos esquecer o passado e nos esforçarmos para conseguir nos libertar dos sentimentos negativos. Aprendermos quais são os nossos ideais e lutarmos para conquistá-los. E precisamos estabelecer projetos de vida que sejam possíveis de serem realizados e nos ligarmos neles e em sua execução. Isto é muito mais positivo do que ficarmos vitimados por infortúnios passados e por isto negarmos a nós mesmos a possibilidade de conquistar a felicidade.

A vida é difícil para todos nós. Saber disto nos ajuda porque nos poupa da auto-piedade. Ter pena de si mesmo é uma viagem que não leva a lugar nenhum. Justificar a auto-piedade toma um tempo enorme na construção de argumentos e motivos para nos entristecermos com uma coisa absolutamente natural: nossas dificuldades. Não vale a pena perder tempo se queixando dos obstáculos que têm de ser superados para sobreviver e para crescer.
É melhor ter pena dos outros e tentar ajudar os que estão próximos e precisam de uma mão amiga, de um sorriso de encorajamento e de um abraço de conforto. E usar sempre nossas melhores qualidades para resolver problemas, que são as capacidades de amar, de tolerar e de rir.

Muitas pessoas vivem a se queixar de suas condições desfavoráveis, culpando as circunstâncias por suas dificuldades ou fracassos. As pessoas que se dão bem no mundo são aquelas que saem em busca de condições favoráveis e quando não as encontram se esforçam por criá-las. Quem acreditar que a vida é um jogo de sorte vai perder sempre. A questão não é receber boas cartas, mas usar bem as que nos chegam às mãos.

quarta-feira, 18 de julho de 2007

Todos podem ser felizes


Todos podem ser felizes
Autor:Seicho Taniguchi

Todos nós buscamos a felicidade. Mas algumas pessoas se queixam de que é difícil encontrá-la. Entretanto, se pensarem bem, perceberão que são inúmeras as dádivas. Em comparação com o passado, a condição de vida melhorou muito: a comida é farta e as moradias são muito melhores que antigamente.
Os meios de transporte melhoraram bastante, a quantidade de carros aumentou muito, e os veículos são todos modernos, não existindo mais aqueles “calhambeques” soltando fumaça. Mesmo assim, muitas pessoas vivem insatisfeitas, reclamando do custo de vida, da condição de moradia etc. Isso ocorre porque o termo de comparação se tornou mais elevado. É verdade que o custo de vida está alto, mas a situação é melhor que no tempo em que as mercadorias eram escassas e não as podíamos obter. Se vivermos reclamando que tudo está caro, esse pensamento se fixa na mente e vamos nos sentir cada vez mais aborrecidos e infelizes.
Além disso, reclamações e queixas não melhoram a situação. Pelo contrário, devido à força negativa que elas contêm, só contribuem para criar escassez de mercadorias e alta do custo de vida.
As palavras têm uma força misteriosa, e o que é expresso constantemente acaba se concretizando. Assim, quem vive dizendo que é infeliz torna-se cada vez mais infeliz, e quem vive se queixando da doença custa a sarar; pelo contrário, tende a piorar.
Então, não é muito melhor falar de coisas boas, maravilhosas, proferir palavras de gratidão e viver todos os dias com alegria e entusiasmo? Mesmo estando doente, é possível acontecer algo bom, pelo menos uma vez ao dia: a visita de um amigo, o desabrochar de uma flor no vaso, o agradável sabor do chá que foi servido etc.
O que quer que tenha acontecido de bom ou agradável, expresse-o verbalmente e manifeste gratidão. É bom relatar o fato a outras pessoas e compartilhar a alegria, pois, é certo que isso iluminará a mente. Vivendo com a mente radiosa, você atrairá a simpatia de todos e, mesmo na eventualidade de estar doente, logo obterá a cura. E o seu destino melhorará cada vez mais.
Em tudo, é importante a postura mental correta. Quem está com a mente distorcida tem uma visão deturpada das coisas e se irrita com tudo, ao passo que na vida de quem tem a mente positiva e se sente grato a todos ocorrem coisas boas uma após outra, e essa pessoa será realmente uma felizarda aos olhos de todos.
No mundo, existem pessoas que obtêm êxito em tudo e pessoas que fracassam em tudo. As primeiras têm a mente positiva, luminosa. Por verem sempre o lado radioso da vida, elas vivem com alegria e entusiasmo; e isso faz com que os outros simpatizem com elas e se disponham a colaborar. Já as pessoas propensas ao fracasso são as que têm a mente sombria e vivem reclamando. Por causa disso, não aparecem colaboradores, o seu ambiente familiar é frio e são constantes os desentendimentos.
Na verdade, todos podemos ser felizes agora mesmo, pois a felicidade não vem de fora, e sim de dentro, criada por nós próprios, ou seja, pela nossa mente.

Da revista Hikari no Izumi (Fonte de Luz), ano XXXIV, 08/73, pp. 2-3

segunda-feira, 16 de julho de 2007

OM MANI PADME HUM


"A dor é inevitável.
O sofrimento é opcional."


ऋओसहअनइ

श्रीगणेश

हरे कृष्णा हरे कृष्णा
कृष्णा कृष्णा हरे हरे
हरे राम हरे राम
राम राम हरे हरे

O Caminho do meio.

Saia atrás de soluções



Saia atrás de soluções
Por Roberto Shinyashiki

Muita gente em situações críticas consegue ter paz no coração e atravessar oceanos de angústia com um sorriso no olhar. Por outro lado, indivíduos com todo o tipo de conforto não encontram nenhum estímulo para sair da cama.

Uma das maiores batalhas que tenho enfrentado em minha vida tem sido com as pessoas que julgam que é o tamanho dos problemas as impede de ser felizes. Muitos querem me convencer de que problemas grandes são sinônimos de infelicidade. Mentira!

Se fosse assim, os países nórdicos apesar de seu estágio de evolução, não teriam a maior taxa de suicídios do mundo. E os Estados Unidos, com todo o seu desenvolvimento econômico, não seriam a nação com o número mais elevado de depressivos.

Imagine tragédia maior que a sofrida pelo iatista Lars Grael, um atleta no auge da sua forma, que amputou a perna por sido atingido por uma lancha dirigida por sujeito acusado de estar embriagado. E eis que ele ressurge das cinzas como uma Phoenix moderna.

Há o caso daquele menino que ficou cego por causa de uma infecção oftalmológica, que teria sido evitada se o pai tivesse dinheiro para comprar uma injeção de penicilina. Seu nome: Ray Charles. Ou daquele outro menino que estava brincando quando perdeu o pé num atropelamento em sua cidade, Cachoeiro do Itapemirim, e se transformou em nosso Rei Roberto Carlos.

São pessoas que poderiam, com razão, ficar amarguradas e revoltadas com a sorte, mas decidiram tocar a vida o melhor possível e se converteram em exemplos de fé e determinação.
Minha mãe, quando eu era criança e começava a reclamar da vida, costumava contar a seguinte história: Havia um homem que estava muito infeliz com sua cruz. Um dia ele pediu a Deus para trocar de cruz, e o Criador, em sua suprema bondade, o autorizou a procurar uma nova. O rapaz foi até o depósito das cruzes para ver se encontrava uma de seu agrado, mas ficou angustiado com o tamanho delas. Todas eram imensas e, para piorar, algumas eram de mármore ou de chumbo. Já frustrado, estava se preparando para ir embora, quando olhou num dos cantos e viu uma cruz tão pequena que parecia crucifixo. Olhou para Deus, é quase envergonhado, pediu a ele se podia levar aquela. O mestre, com um sorriso fez um sinal de positivo. Quando ele examinou atrás da cruz, viu seu nome escrito.

Ao analisar um problema com minúcia, você percebe que ele não é dos mais pesados para carregar. Lógico, nossa tendência é pensar que o nosso problema é o maior do mundo. Certamente, é assim com todas as pessoas. Mas as dificuldades não são baseadas no tamanho dos problemas, e sim nas soluções criadas. Portanto, logo depois de entrar na dor de uma adversidade, saia atrás de uma solução, porque esse é o caminho para deixar a existência leve. Chorar num momento de infortúnio é normal, mas ficar chorando a vida inteira é masoquismo.
Eu acredito na felicidade e sei que Deus diz sim para aquilo em que acreditamos. Se sua vida não está de modo como gostaria, dê um jeito de transformá-la. É maior presente que pode dar a si mesmo.

Amar é praticar o companheirismo e a compreensão


Amar é praticar o companheirismo e a compreensão

Viver com quem se ama não é apenas uma oportunidade de conhecer o outro, mas é a maior chance de entrar em contato consigo mesmo
Por Roberto Shinyashiki

Muita gente está assustada com a possibilidade de se envolver e perder a liberdade conquistada. De um lado as mulheres buscam homens mais compreensivos, de outro, os homens querem mulheres menos possessivas. O mesmo acontece no trabalho, um profissional que não está atualizado, disposto a desafios e apto para mudanças é, rapidamente, substituído por outro.
O fato é que, se queremos viver um relacionamento gostoso, porém verdadeiro, seja no casamento, namoro, ou em poucas horas, devemos aprender a nos aceitar como somos e olhar para o companheiro como um caminho para o crescimento. Estar com alguém plenamente é a possibilidade de vencer o medo da entrega e de se conhecer no íntimo.
Conviver com alguém que amamos é o mesmo que comprar um imenso espelho da alma, no qual, cada um de nossos movimentos é mostrado, sem a mínima piedade. E, é aí que começa o inferno... Ao invés de encarar a verdade e de ver a imagem temida do verdadeiro “eu”, tenta-se quebrar o “espelho”. Como? Fugindo da intimidade, culpando o outro, não assumindo as próprias responsabilidades e desacreditando o amor.
Viver com quem se ama não é apenas uma oportunidade de conhecer o outro, mas é a maior chance de entrar em contato consigo mesmo. Apenas quando nos vemos é que percebemos o medo de nós mesmos e nos aceitamos como realmente somos. Começamos, então, a nos capacitar para o amor.
O único jeito de amar é buscando a sinceridade. Infelizmente, com o passar dos anos o amor tem sido muito mais estratégico do que espontâneo. Nas revistas femininas via-se muito esse tipo de atitude: “se ele fizer isso, faça aquilo”, o que foi minando a espontaneidade do amor. Nós temos que redescobrir a forma de amar, a naturalidade do relacionamento amoroso. As pessoas precisam ter interesse genuíno no outro.Todas as maneiras de amar devem ser naturais. Quem fica estudando demais o outro, “mata” a possibilidade de amar alguém. O mundo é feito de absurdos e encontros, os absurdos fazem parte, porém, devemos entender que é possível ser feliz, acreditando dia-a-dia na naturalidade dos sentimentos.
Um dia, perguntaram a um grande mestre quem o havia ajudado a atingir a iluminação; e ele respondeu: “Um cachorro”. Os discípulos, surpresos, quiseram saber o que havia acontecido, e o mestre contou: “Certa vez, eu estava olhando um cachorro, que parecia sedento e se dirigia a uma poça d’água. Quando ele foi beber, viu sua imagem refletida. O cachorro, então, fez cara de assustado, e a imagem o imitou. Ele fez cara de bravo e a imagem o arremedou. Então, ele fugiu de medo e ficou observando, durante longo tempo, a água. Quando a sede aumentou, ele voltou, repetiu todo o ritual e fugiu novamente. Em um dado momento, a sede era tanta que o cachorro não resistiu e correu em direção à água, atirou-se nela e saciou sua sede. Desde então, percebi que, sempre que eu me aproximava de alguém, via minha imagem refletida, fazia cara de bravo e fugia assustado. E ficava, de longe, sonhando com esse relacionamento que eu queria para mim. Esse cachorro me ensinou que eu precisava entrar em contato com minha sede e mergulhar no amor, sem me assustar com imagens que eu ficava projetando nos outros”. Esse é o ingrediente básico para o amor, o autoconhecimento. Projetar nossos desejos ou nossas “fobias” no outro, apenas causa uma relação de dependência ou doentia, como o desenvolvimento do ciúme ou competição.
Permita-se amar – As pessoas vivem fazendo comparações entre elas mesmas e os outros. Comparam também as pessoas entre si. O tempo todo ficam imaginado que, se algo fosse diferente no parceiro, ele seria melhor. Quando você entra no jogo da comparação, sempre, há alguém que sai perdendo. E, geralmente, quem sai perdendo é você mesmo. Ao se comparar, você fica impedido de ver quanto você é o único e especial.
Muitas vezes, as pessoas se sentem agredidas pelos atos negativos do seu companheiro. As características básicas das pessoas que procuramos coincidem, ou se opõem, na maioria das vezes, às de alguma pessoa especial e importante da nossa infância.
Quando iniciamos uma relação geralmente, vemos o outro como uma pessoa diferente dos parceiros anteriores e muito especial. Porém, à medida que os problemas vão surgindo, começam as comparações com o último relacionamento e, depois de algum tempo, reafirma-se a crença negativa de que amar não dá certo. Dessa maneira, é muito fácil, por exemplo, o casamento entornar em pouco mais de dois anos.
O grande desafio é, justamente, nos desvencilhar da imagem projetada que fazemos de nós mesmos e de quem está ao nosso lado, nos permitindo aceitar as maravilhosas qualidades do ser humano e os defeitos também. Quando, num relacionamento, não estamos amando o outro, mas, a imagem que construímos e buscamos encontrar, e essa imagem cai, permitindo-nos vê-lo exatamente como é, há um desinteresse, um desencanto. Enquanto vivermos sob o domínio da neurose, com sistemas de comparações, jamais amaremos alguém com a intensidade de que idealizamos. Amamos nos sonhos e ficamos sozinhos quando acordados.
Há uma frase de que gosto muito diz: “o casamento dá certo para quem não precisa de casamento”. Normalmente, a compulsão de casar e de viver junto nascem de uma dependência. As pessoas esperam um complemento. Essa não é a função de um relacionamento, o outro não vai preencher uma lacuna, mas sim, ajudar a desenvolver o que elas não têm. Infelizmente, a maior parte das pessoas odeia sua própria companhia e vê no outro uma forma de “salvação”.
Devemos perceber que a única maneira de amar o outro é nos amando. A medida em que você vai desenvolvendo a paz, mais você vai gostando de ficar com você e seleciona melhor seu possível companheiro. Se a pessoa tem baixa auto-estima, usará o outro para “tapar o buraco” de suas carências, no entanto, ninguém resolve a carência de ninguém.
Conviver e saber aceitar a idéia de que qualquer relacionamento pode acabar é a chave para o amor saudável e construtivo. Tentar dominar o parceiro com medo da perda, só faz com que ele se afaste ainda mais. Esse é outro grande desafio da arte de amar: lidar com a possibilidade da perda, sem dominar o outro.

A diferença entre a falsa e a verdadeira paz

A diferença entre a falsa e a verdadeira paz
Por Patricia Gebrim

É claro que todos nós ansiamos por viver em paz. Queremos viver relacionamentos harmoniosos, daqueles que nos fazem sentir bem. Queremos relações de trabalho e de amizade equilibradas. Queremos um ambiente familiar tranquilo.
No entanto, eu gostaria de pensar com você sobre a verdadeira e a falsa paz. Sim, porque nem sempre paz significa equilíbrio e harmonia. Algumas vezes, senão muitas vezes, aquilo que chamamos de paz trata-se mais de um acordo não-verbal em que fingimos algo que não é real.

A falsa paz

Muitas vezes para obter paz, concordamos em dar em troca algo de vital importância para nós. Pagamos um alto preço para obter a tão sonhada 'paz', sem nem mesmo nos darmos conta disso. Para obter esse tipo de paz, acabamos abrindo mão da nossa verdade, da nossa voz, da nossa criatividade, do nosso verdadeiro Eu.
A falsa paz acontece quando negamos a nós mesmos e concordamos com o outro apenas para evitar conflitos. Acontece quando nos acovardamos e evitamos olhar para a realidade, quando preferimos brincar em meio às ilusões, nossas ou de outros. A falsa paz acontece quando deixamos de ser quem somos, quando deixamos de dizer o que pensamos e de agir segundo o que acreditamos.
A falsa paz é aquela que é obtida pelo nosso 'Eu mascarado'. Fingimos que concordamos, afinal, 'para que discordar'? Fingimos que gostamos, afinal,
'para que frustrar o outro'? Fingimos que sabemos, afinal, 'que diferença faz'? O motivo para assumirmos esse 'Eu mascarado' parece nobre, afinal, estamos fingindo para obter esse artigo tão sublime e desejado... a tal paz,
não é mesmo?
O problema é que, ao assumir essas máscaras deixamos de ser quem somos, traímos a nós mesmos, deixamos de revelar a nossa verdade, deixamos de presentear o mundo com aquilo que é único em cada um de nós. Além disso, acredite, a coisa toda não funciona. Nunca seremos de fato felizes se estivermos baseando a felicidade em uma falsa paz. Acabamos nos tornando ausentes e artificiais, e por mais que nos esforcemos, o outro acabará pressentindo essa falta de verdade, e acabará se afastando de nós.
É fácil encontrar exemplos da 'falsa paz'. Pense naqueles relacionamentos em que tudo parece sempre calmo e equilibrado, mas onde não há crescimento, não há vida. É como uma poça de água parada. Perfeitamente parada, a ponto de começar a apodrecer, pois tudo o que fica estagnado acaba morrendo um dia.
A vida é aquilo que flui ininterruptamente.
Paz não é ausência de movimento, não é imobilidade, muito menos perfeição.
O que é a verdadeira paz, então?

A verdadeira paz

A verdadeira paz é o mais belo fruto de nosso crescimento e trabalho pessoal. É conquista. É fruto de muita luta interna.
A verdadeira paz acontece quando optamos por ser verdadeiros, mesmo que ao fazer isso possamos colocar em andamento algum tipo de conflito. (Não confunda 'ser verdadeiro' com a prática de 'honesticídio', hein?)
Pense que os conflitos podem ser também positivos, se forem vivenciados juntamente com uma qualidade amorosa, e se nos levarem a nos transformar e crescer. Os conflitos são como o atrito entre duas pedras, que acaba por proporcionar polimento e a revelação dos diamantes que se escondiam sob as camadas mais superficiais da rocha.
Para obter a verdadeira paz você precisará se dispor a lidar com os obstáculos e desafios da vida e dos relacionamentos. Precisará evitar a tentação de pular etapas, refugiando-se em seu 'Eu mascarado' que finge que 'não há nada errado'. Precisará confiar que existe em você essa força poderosa - o seu 'Eu superior'-, capaz de conduzi-lo pelas tempestades da vida. A verdadeira paz é como o sutil arco-íris, um maravilhoso presente reservado àqueles que não temem as tormentas.
Espero que você se lembre disso na próxima vez em que se perceber em meio a uma tempestade.
Espero que abra mão dos caminhos mais fáceis, que enfrente a aspereza de seus próprios labirintos desconhecidos, em busca da verdade de seu Eu e, que a partir dessa verdade, encontre a verdadeira paz.


Fênix

"Fênix" ou "Phoenix" referindo-me à ave mitológica de grande porte que merecia o título de animal mais raro da face da terra, simplesmente por ser a única de sua espécie.
Fênix possuía uma parte da plumagem feita de ouro e a outra colorida de um vermelho incomparável. A isso ainda aliava uma longevidade jamais observada em nenhum outro animal. Seu habitat eram os desertos escaldantes e inóspitos da Arábia, o que justificava sua fama de quase nunca ter sido vista por ninguém.
Quando Fênix percebia que sua vida secular estava chegando ao fim, fazia um ninho com ervas aromáticas, que entrava em combustão ao ser exposto aos raios do Sol. Em seguida, atirava-se em meio às chamas para ser consumida até quase não deixar vestígios.
Do pouco que sobrava de seus restos mortais, se arrastava milagrosamente uma espécie de verme que se desenvolvia de maneira rápida para se transformar numa nova ave, idêntica à que havia morrido.
A crença nessa ave lendária figura na mitologia de vários e diferentes povos antigos, tais como gregos, egípcios e chineses. Apesar disso, em todas essas civilizações, seu mito preserva o mesmo significado simbólico: o renascer das próprias cinzas.
Até hoje, essa idéia é bastante conhecida e explorada simbolicamente.
Podemos restaurar o que os incêndios destroem em nossa vida? Às vezes. Em outras circunstâncias é melhor que as cinzas sejam esquecidas, para que algo completamente novo seja construído.
Renascer é o processo através do qual você lamenta a sua perda e depois se levanta e começa tudo de novo. É um dos principais segredos para alcançar o sucesso.
As pessoas realizadas são aquelas que nunca desistiram de tentar ser assim.
Enquanto você está processando integralmente os aspectos físicos, psicológico e emocional da decepção, vai começar a notar que continua vivo. Algumas pessoas pensam que não podem suportar aquela crise de jeito nenhum porque é demais para elas.
Notar que você é um sobrevivente daquela experiência é uma conscientização importante. Isso é chamado de viver o tempo presente. Você não está mais revivendo repetidamente o passado na sua cabeça. Está pronto para viver o presente, aqui e agora.
O que aflora em seguida é a noção de que pode existir um futuro. Considerar um futuro significa preparar-se para olhar para frente e imaginar que tem opções. A criatividade entra no quadro quando você acredita que na verdade poderia visualizar uma vida, elaborar um plano para concretizá-lá e então resolver avançar passo a passo.
Você considera as possibilidades que nunca imaginou e começa a estabelecer objetivos, atividades que o colocam mais uma vez no tabuleiro do jogo da vida.
Será preciso avaliar se é mais sensato continuar a batalhar pelo mesmo objetivo que perseguia antes, ou se é melhor formular uma nova meta.
Também terá de determinar um novo curso de ação, construído sobre as lições que aprendeu com a crise, revisando seus planos em tudo que for necessário.
Depois de uma decepção, seus objetivos iniciais não serão monumentais. Serão passos minúsculos de bebê que vão aumentando aos poucos. Não serão passos para trás, retrocedendo aos velhos e bons tempos, nem farão com que você ande em círculos, sem saber direito o que fazer com sua vida. Esses novos passos serão dados para frente, na direção do seu futuro.
Seu novo futuro pode até ser semelhante ao passado, antes da crise. Mas agora você pode abordá-lo de olhos mais abertos e com a vantagem do conhecimento que adquiriu.
Apesar de não serem passos gigantescos associados a conquistas significativas, seus objetivos novos estarão indo na direção certa. Não deixe de reconhecê-los. Tenha o cuidado de não menosprezá-los, desacreditá-los ou desqualificá-los por não estarem no mesmo nível das realizações anteriores. Parte desse processo de andar para frente é dar-se permissão para estar num nível diferente, apesar de novo, de realização. Como diz o ditado, às vezes você precisa "ir mais devagar para ir mais depressa".
Algumas vezes, como a Fênix, temos que renascer das cinzas. Devemos passar pelo fogo e sair fortalecidos, Renovados e Renascidos.

Daniel C. Luz

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