Além do horizonte, existem outros mundos a serem descobertos.
Lá, folhas não caem, elas flutuam.
Lá, o meio de transporte são pássaros que vem até você e com o suspiro de seu amor, neste mundo todos andam de mãos dadas lá é aonde a harmonia toma conta da natureza de todas as espécies viventes.
Lá, não colhemos flores, mas as flores colhem a gente.
Chegou o tempo de despertar e acreditar que esta vida vale apena ser vivida.
-Rhenan Carvalho-

quinta-feira, 19 de agosto de 2010

Quando o ser humano não está bem, logo acredita que se afastou do deus de sua fé. Muitas religiões sobrevivem da promessa de promover a religação entre o indivíduo e seu deus. O fato é que nem sempre isso é possível, porque o homem não poderia jamais estar distante daquela força que o criou. Se há um Deus, ou um poder criador supremo, não parece lógico que este viesse a trazer ao palco da realidade aquilo do qual não precisasse ou desejasse de alguma forma. Uma vez que trouxe alguma coisa à existência, é menos ilógico pensar que isso não seria jamais abandonado, porque é alvo de uma experiência existencial, e precisa ser observado passo a passo.

Por um outro lado, fica fácil assimilar esta idéia quando se imaginar uma mãe a preparar a mochila do filho para um passeio. Sabe-se que de tudo ela colocará na tal mochila. Tudo o que imagina que seu filho possa vir a necessitar. Assim procede a mãe humana, como não teria, então, agido o criador ou a força criadora do universo com relação às suas criaturas?

A humanidade não parece ter conquistado o direito de ser criada. Nisso não há lógica alguma. Mas foi arquitetada mesmo assim, e, um dia, surgiu na terra e evoluiu até alcançar a forma atual. E assim ocorreu, logicamente, porque trazia em sua espécie as condições para fazê-lo.

Deus, ou o poder divino; a sabedoria suprema e universal, sempre esteve agindo juntamente a ele, promovendo as condições de sua evolução e suas conquistas. E isso não configura abandono.

Ora, se existe um sentimento de certeza de abandono, e se esse abandono, esse distanciamento, não parece ter sido uma atitude divina, de quem teria sido então?

A resposta estaria no próprio indivíduo. O corpo humano é o templo pelo qual a pessoa estabelece contato com o divino. Estar aberto a esse contato é permitir encontrar o divino em si e a partir de si mesmo. Para que tal contado seja possível é necessário que, antes, haja um contato do ser com ele próprio. É quando o homem perde contato com seu próprio eu que perde o elo com a divindade. Assim, a essência divina jamais estaria afastada do ser humano, porque é uma só com a essência humana. Mas o homem, afastando-se de si mesmo, perde o contato com tal essência.

É fácil afastar-se de sua própria essência. E isso ocorre na medida em que o indivíduo busca se aproximar de uma essência que não é a sua.

Quando o homem encontra a si mesmo e coloca-se no centro de sua existência reconecta-se com a divindade, ainda que jamais venha a nomeá-la. E mais importa saber da divindade a partir de si mesmo, ainda que anônima, que saber seu nome e jamais sentir suas vibrações em sua vida.

Christianne Freitas Vieira da Cunha

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