Além do horizonte, existem outros mundos a serem descobertos.
Lá, folhas não caem, elas flutuam.
Lá, o meio de transporte são pássaros que vem até você e com o suspiro de seu amor, neste mundo todos andam de mãos dadas lá é aonde a harmonia toma conta da natureza de todas as espécies viventes.
Lá, não colhemos flores, mas as flores colhem a gente.
Chegou o tempo de despertar e acreditar que esta vida vale apena ser vivida.
-Rhenan Carvalho-

segunda-feira, 16 de agosto de 2010

O vencedor

Era a primeira competição do ano para a nossa recentemente formada equipe de natação da escola. A atmosfera era de excitação durante a viagem de três horas de ônibus, com o grupo de jovens não pensando em nada além da vitória.

Entretanto, o entusiasmo transformou-se em choque quando nossos peixinhos desembarcaram e viram seus musculosos oponentes, um verdadeiro grupo de deuses gregos.

O treinador verificou a programação. - Seguramente está havendo um erro, ele pensou. Mas a programação apenas confirmou, sim, era o lugar certo e a hora certa. As duas equipes formaram uma linha ao lado da piscina.

Apitos sopraram, disputas foram iniciadas e disputas foram perdidas. Pelo meio da competição, o treinador percebeu que não tinha nenhum competidor à altura do evento.

- Muito bem equipe, quem quer disputar a próxima prova? - O treinador perguntou meio desanimado.

Várias mãos se levantaram, incluindo as de Justin Rigsbee.

- Eu nadarei, treinador!

O treinador fitou o jovem e disse:

- Justin, nesta prova você tem que atravessar a piscina vinte vezes. Até hoje eu só o vi atravessar oito vezes.
- Mas eu posso fazê-lo, treinador. Deixe-me tentar. O que são doze vezes mais?

O treinador, embora relutante, cedeu, - Afinal de contas, ele pensou, não é o ganhar, mas o tentar que constrói o caráter.

O apito soprou e os nadadores torpedearam pela água e terminaram a prova em quatro minutos e cinqüenta segundos. Os vencedores reuniam-se para receber as medalhas enquanto nosso grupo lutava para terminar a prova.

Depois de mais quatro longos minutos, os últimos membros, exaustos, saíram da água. Todos, exceto Justin. Justin tentava ter fôlego, com as suas mãos dando tapas contra a água e empurrando seu delgado corpo mais para o lado do que para adiante. Parecia que afundaria à qualquer instante, mas algo parecia manter empurrando-o.

- Por quê o treinador não pára esta criança? - Alguns pais cochicharam entre si.
- Parece que vai se afogar e a prova foi vencida há quatro minutos.

Mas o que aqueles pais não sabiam era que a prova real, a prova do menino tornando-se um homem, apenas começava. O treinador andou pela borda até o jovem nadador, ajoelhou-se e falou calmamente com o
nadador.

Os pais, aliviados, pensaram, - Ele finalmente puxará aquele menino para fora antes que ele se mate. Mas, para surpresa geral, o treinador batia forte os pés na borda da piscina e o rapaz continuou a nadar.

Um colega de equipe, inspirado por seu amigo corajoso, foi até o lado da piscina e incentivou:

- Vai Justin, você pode! Você consegue! Força! Não desista!

Logo outro se juntou, então outro, até que a equipe inteira andava pela borda da piscina encorajando seu companheiro a terminar a prova. A equipe adversária, vendo o que acontecia, uniu-se ao grupo. O coro contagiou todo o lugar e logo os pais, que antes estavam preocupados, começaram a bater os pés, gritando e torcendo. O lugar pulsava com a energia e a animação dos atletas que incentivavam o pequeno nadador.

Doze longos minutos depois do vencedor da prova, um exausto mas sorridente Justin Rigsbee saía da piscina. A multidão tinha aplaudido o nadador que vencera a prova. Mas a ovação que deram para Justin naquele dia foi a prova de que a vitória maior fora a sua, apenas por terminar a disputa.

Sharon Jaynes

(Tradução de Sergio Barros)

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