Além do horizonte, existem outros mundos a serem descobertos.
Lá, folhas não caem, elas flutuam.
Lá, o meio de transporte são pássaros que vem até você e com o suspiro de seu amor, neste mundo todos andam de mãos dadas lá é aonde a harmonia toma conta da natureza de todas as espécies viventes.
Lá, não colhemos flores, mas as flores colhem a gente.
Chegou o tempo de despertar e acreditar que esta vida vale apena ser vivida.
-Rhenan Carvalho-

sábado, 21 de julho de 2007



DO "EU" EGOÍSTA A AUSÊNCIA DO "EGO" O QUE É "ZEN"?

Gostaria de começar dizendo que ZEN não é o mesmo que conhecimento, apesar do conhecimento não estar completamente desvinculado do ZEN. O ZEN não é exatamente religião, ainda que as realizações da religião possam ser alcançadas através do ZEN. O ZEN não é filosofia, ainda que a filosofia, em nenhum sentido, possa exceder o âmbito do ZEN. O ZEN não é ciência, ainda que o espírito de ênfase da realidade e da experiência seja também necessário ao ZEN. Portanto, rogo que não tentem explorar a essência do ZEN motivados apenas por mera curiosidade, visto que o ZEN não é algo novo trazido para cá pelos Orientais; o ZEN está presente em todo lugar, no espaço ilimitado e no tempo infinito. Contudo, antes do Budismo Oriental ser divulgado no mundo Ocidental, as pessoas do Ocidente ignoravam a existência do ZEN. O ZEN ensinado pelos Orientais no Ocidente, não é, de fato, o verdadeiro ZEN. É somente o método para compreendê-lo. O ZEN foi, inicialmente, descoberto por um príncipe de nome Siddharta Gautama (chamado de Sakyamuni após sua Iluminação) que nasceu na Índia há 2500 anos. Após ter alcançado a Iluminação e ser chamado Buddha, ensinou-nos o método para conhecer o ZEN. Este método foi transmitido da Índia para a China e, posteriormente, para o Japão. Na Índia o método era chamado "DHYANA", cuja pronúncia em chinês é "CH'AN" e em japonês é "ZEN". Na verdade são todos idênticos.
O ZEN tem existência eterna e universal. Não há necessidade de qualquer professor para transmiti-lo; o que é ensinado por professores é somente o método pelo qual um indivíduo pode pela própria experiência conhecer o ZEN.
Equivocadamente, algumas pessoas entendem o ZEN como tipo de experiência misteriosa; outras pensam ser possível adquirir poderes sobrenaturais através da experiência ZEN. Naturalmente, o método para a prática da Meditação ZEN pode causar vários tipos de fenômenos estranhos no que concerne à sensação mental e física; e também, através da prática da unificação do corpo e da mente, o indivíduo pode ficar capacitado a alcançar o poder mental para controlar ou alterar fatores externos. Porém, tais fenômenos, vistos como mistérios da religião, não são o objetivo da prática do ZEN, porque podem somente satisfazer a curiosidade ou a megalomania do indivíduo e não solucionar os problemas existentes nas vidas das pessoas.
O ZEN inicia a partir da raiz do problema. Ele não começa com a idéia de conquistar os ambientes social e material externos, mas sim de alcançar total conhecimento do "EGO" do indivíduo. A partir do momento em que você sabe o que é o seu "EGO", e este "EGO" que você agora considera como sendo você mesmo irá, simultaneamente, desaparecer. Chamamos a este novo conhecimento da noção do "EGO", de "Iluminação" ou de "compreensão de sua própria natureza básica". Este é o início para ajudá-lo a resolver completamente os verdadeiros problemas. Finalmente, você descobrirá que você, indivíduo, aliado à totalidade da existência, é único e indivisível.
Devido a você próprio ter imperfeições sente, consequentemente, que o ambiente é imperfeito. É como um espelho com superfície irregular - as imagens nele refletidas são também distorcidas. Ou, como a superfície da água agitada por ondulações - a imagem da lua nela refletida é; irregular e instável. Se a superfície do espelho é clara e polida, ou se o ar sobre a superfície da água está quieto e as ondas calmas, então, o reflexo no espelho e a imagem da lua sobre a água serão claros e precisos. Por essa razão, sob a ótica ZEN, a principal causa da dor e do infortúnio da humanidade não é o ambiente traiçoeiro do mundo no qual vivemos, nem a terrível sociedade da espécie humana, mas o fato de nunca termos sido capazes de reconhecer nossa natureza básica. Assim, o método ZEN não nos conduz a fugir da realidade nem a fechar nossos olhos como faz o avestruz australiano quando da chegada dos inimigos e nem a enterrar nossa cabeça na areia julgando que todos os problemas serão resolvidos. O ZEN não é um idealismo auto-hipnotizante.
Através da prática do ZEN, o indivíduo pode eliminar o "EGO", e não somente o "EU" egoísta e mesquinho, mas também o "EU" generoso, que em filosofia é chamado de Verdadeiro ou Essência. Só então existe liberdade absoluta. Assim, um perfeito praticante do ZEN jamais sente que qualquer responsabilidade é um fardo, nem sente as pressões que as condições de vida exercem sobre as pessoas. Ele sente somente que está incessantemente trazendo a vitalidade da vida com força total. Esta é a expressão da liberdade absoluta. Portanto, a vida ZEN, é inevitavelmente normal e positiva, feliz e generosa. A razão para isso é que a prática do ZEN irá continuamente suprir você com os meios para escavar sua preciosa mina de Sabedoria. Quanto mais profunda for esta escavação, maior será a Sabedoria alcançada, até que, eventualmente, você obtenha toda a Sabedoria o universo. Neste momento, não haverá uma única coisa em todo tempo e espaço que não esteja contida dentro do âmbito de sua sabedoria. Neste estágio a sabedoria torna-se absoluta e, uma vez que é absoluta, o termo "sabedoria" não terá mais propósito. Pode ter certeza de que aquele estágio em que o "EGO" o motivava a perseguir coisas tais como fama, riqueza e poder, ou a fugir do sofrimento e do perigo, desapareceu completamente. Além disso, mesmo a sabedoria que eliminou seu "EGO" torna-se um conceito desnecessário para você. Evidentemente do ponto de vista de uma súbita Iluminação, é muito fácil para um praticante ZEN alcançar este estágio; contudo, antes de alcançar a passagem para a súbita Iluminação, o indivíduo deve despender um grande esforço nesta jornada. Caso contrário, os métodos ZEN seriam inúteis.
Ven. Dr. Sheng-Yen

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